O Homem que a Chuva Reconhece

Há um homem que caminha
como se o mundo o tivesse sonhado antes,
um homem cuja alma encontra abrigo
no toque leve das primeiras gotas.
A chuva não o molha...
cumprimenta-o.
Reconhece-o como a um velho amigo
que nunca precisou de explicações.
Ele lidera com a serenidade
de quem sabe que a força verdadeira
não levanta poeira.
A sua presença é firme,
mas nunca imposta;
é a ordem que nasce
quando o coração se mantém limpo.
O seu rosto, às vezes fechado,
é apenas o selo de um espírito profundo.
E há instantes raros, quase milagres,
em que um sorriso se abre...
breve, luminoso,
como um raio de céu entre nuvens.
Nesses momentos, o tempo abranda
e tudo parece reencontrar o seu lugar.
Carrega consigo o que viveu,
não como peso,
mas como escrita sagrada
que o tornou mais inteiro.
Transformou a dor em sabedoria,
as quedas em raiz,
o passado em direção.
Permanece puro porque escolheu sê-lo,
genuíno porque nunca negociou a sua essência.
Há nele essa rara verdade
que não precisa de ser dita
para ser sentida.
É o homem que a chuva reconhece:
aquele cuja alma fala antes do passo,
aquele que guia
não pelo que exige,
mas pelo que é.


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