O Furacão Cláudia

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“Não sou tempestade para destruir — sou vento que desperta.”


Há quem passe pela vida em silêncio. Eu não.


Sou feita de ruído, de movimento, de alma.


Há quem me chame intensa, quem diga que trago ventos fortes por onde passo. Talvez seja verdade. Talvez seja essa a minha natureza...ser...o Furacão Cláudia.


Mas o meu furacão não destrói.


O meu furacão sente, empurra, transforma.


Traz luz depois da trovoada, e um novo ar depois do caos.


Sou muitas versões de mim. Às vezes sou brisa...leve, serena, quase invisível. Outras, sou tempestade...caótica, vibrante, impossível de ignorar... E no fundo, talvez o meu equilíbrio esteja nessa dualidade: ser calma e turbulenta, força e fragilidade, tudo ao mesmo tempo.


As minhas relações, o meu espelho...


Sempre vivi intensamente as minhas ligações com os outros.


As pessoas tocam-me. Deixam marcas.


Sou daquelas que sente logo à chegada: basta um olhar, um gesto, um silêncio mal encaixado. Carrego no peito o que os outros sentem...a alegria deles, a dor deles, a solidão que às vezes escondem com sorrisos.


Já me dei demais. Já amei sem medida, já acreditei quando devia ter ficado atenta. Já me magoei porque esperava dos outros a mesma verdade que ofereço.


Mas, mesmo com tudo isso, não consigo mudar.


Não sei amar pela metade, nem estar “mais ou menos”. Quando gosto, mergulho. Quando confio, entrego. E se me desiludem, sofro...mas levanto-me, porque sei que cada dor me molda e me aproxima da mulher que sou hoje.


Tenho amizades que me sustentam, outras que o tempo levou...


Aprendi que algumas pessoas vêm para ensinar, não para ficar!!!!


E que tudo, até as perdas, fazem parte do meu caminho.


Sou grata por quem ficou, e até por quem foi, porque cada um deixou um pedaço da história que escrevo.


As minhas cicatrizes...


Trago no corpo e na alma as marcas do que vivi.


Algumas feridas fecharam,outras... confesso, ainda doem em dias de chuva.


Mas não escondo nenhuma. As minhas cicatrizes são como mapas que me mostram por onde passei, o que superei, e o que me fez crescer.


Já me perdi de mim, por amor, por medo, por tentar caber onde não havia espaço.


Mas voltei....volto sempre!


E em cada regresso, encontrei uma versão mais inteira, mais consciente, mais livre.


Ser empática é uma dádiva e uma prova.


Sinto o mundo em excesso, e às vezes isso cansa.


Mas também me salva. Porque sentir... ainda que doa...é viver com verdade.


E eu não trocaria essa verdade por nada.


A calma depois da tempestade!!!


Muitos confundem a minha intensidade com descontrolo.


Mas o meu caos tem sentido. O meu furacão tem propósito.


Quando abalo algo, é porque precisa ser revisto.


Quando levanto vento, é porque há folhas secas para deixar ir....


Sou emoção, mas também sou razão....


Sou força, mas também ternura....


Sou mar agitado e também porto seguro...


Depois de cada tempestade que trago, ou que enfrento, vem sempre a bonança. Um novo começo. Uma clareza que só a dor e o amor conseguem trazer.


É assim que cresço: entre ventos e calmarias, entre partidas e regressos, entre o que fui e o que ainda estou a aprender a ser...


A minha escrita, o meu eterno abrigo...


Escrever é o meu modo de respirar.


É nas palavras que me encontro, me desnudo e me reconstruo.


Cada texto meu é um espelho do que vai cá dentro, uma mistura de memórias, verdades, desabafos e esperança....


Quando escrevo, não penso em agradar....


Penso em libertar.


Penso em dar forma ao que me transborda!


Há quem leia e se reconheça, e isso é das coisas mais bonitas que existem: perceber que o que sai de mim toca outro coração. Que a minha vulnerabilidade também cura, também ampara.


O furacão que transforma...


Hoje, aceito-me.


Com todas as minhas marés, os meus silêncios e explosões.


Com o coração aberto, mesmo depois de o terem ferido....


Com a coragem de continuar a acreditar, mesmo quando o mundo me diz para endurecer.


Este, eu...Furacão Cláudia não veio para derrubar...veio para acordar.


Para limpar o que é falso, para abrir espaço ao que é verdadeiro...


Para mostrar que ser sensível é uma forma de força, que sentir é uma forma de fé, e que continuar a amar, apesar de tudo, é o maior ato de resistência.


Sou feita de alma e instinto, de fé nas pessoas certas e de amor pelas pequenas coisas: o cheiro da terra molhada, o riso dos meus, a luz do fim da tarde, o silêncio depois da chuva.


Sou tudo o que vivi!!!! 


 e o que ainda sonho viver....


E se às vezes pareço vento forte, é porque recuso ser brisa!


Prefiro passar e deixar rasto.


Prefiro agitar, inspirar, tocar.


Porque, no fim, ser furacão é isto:


não viver à margem da vida,


mas vivê-la toda,


com o coração em tudo!


 

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