ALENTEJO — LUGAR ONDE A ALMA CRESCE

A nossa vida desenhou-se no Alentejo,
nessa vasta respiração da terra
onde o tempo parece ajoelhar-se
para ouvir melhor o coração.
Foi aqui, entre o ouro do trigo
e o silêncio que embala o dia,
que os meus filhos se fizeram homens —
devagar, como tudo o que é verdadeiro.
Cresceram com o horizonte por companhia,
com a calma cravada nos ombros,
e a força mansa
de quem aprende com o vento
a nunca perder a essência.
Eu olho para eles
e reconheço neste amor
a paz antiga desta planície.
Eles são o que o Alentejo faz de melhor:
serenidade que permanece,
coragem que não grita,
verdade que não precisa de ser dita.
E, ainda assim,
há um caminho dentro de mim
que segue sempre para Norte.
Vai por entre saudades luminosas,
atravessa o país em silêncio,
e pousa onde vive alguém
que me acende o peito
com uma ternura que não se explica.
É assim que existo:
com raízes profundas no Alentejo,
onde se fizeram homens;
e com o coração entreaberto ao Norte,
onde um simples pensamento
me devolve ao lugar
onde também sei respirar.


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