Enquanto o Tempo Passa

Viver é uma arte que não se ensina em manuais.
É um exercício de presença, uma dança entre o que fomos e o que ainda seremos.
Este texto é um convite a desacelerar, a olhar o mundo com novos olhos e a deixar que o tempo nos conte os seus segredos...
Com o tempo, fui percebendo que viver não é correr atrás dos dias, mas deixar que os dias nos encontrem.
A vida não se mede em metas nem em conquistas, mas na suavidade com que aprendemos a caminhar... passo a passo, sem urgência, com o coração desperto para o que o instante oferece.
Há uma beleza silenciosa em aprender a abrandar.
Em deixar que o olhar se detenha nas pequenas maravilhas que tantas vezes nos escapam: o reflexo dourado do sol a beijar o mar, o riso de uma criança que passa, o cheiro a terra molhada depois da chuva.
São detalhes que, por um breve segundo, nos recordam que estamos vivos... e que isso, por si só, já é milagre.
Descobri que a liberdade verdadeira não tem a ver com o lugar onde estamos, mas com a forma como habitamos o mundo.
Ser livre é poder ser inteiro... mesmo quando a vida nos fragmenta... nos apunha-la...nos destrata...
É seguir caminho sem medo de recomeçar, sem precisar provar nada a ninguém.
É abrir espaço dentro de nós para o imprevisto, para o incerto, para o que ainda não sabemos nomear....para o que ainda não sabemos reagir...
Aprendi também que a felicidade raramente chega com fogos de artifício!!!! vem, muitas vezes, em silêncio....o meu silêncio...que muitos não percebem...
Está no gesto simples de quem nos estende a mão, no abraço que demora, na palavra certa dita no momento certo.
E percebi que partilhar a alegria dos outros é uma das formas mais puras de amor... porque, quando vibramos com a luz alheia, a nossa também se acende... isso me torna Feliz...
As dores ensinaram-me mais do que eu imaginava...
Mostraram-me que a fragilidade não é fraqueza, mas o lugar onde nascem as nossas forças.
Que o sofrimento, quando acolhido com coragem, pode transformar-se em sabedoria....
E que a vida, por mais dura que seja, nunca deixa de oferecer novas primaveras... novos verões... novos outonos e invernos... mesmo que frios... intensos!
Hoje, já não espero que tudo faça sentido.
Aceito o mistério, o caos, o inesperado.
Entendo que há ciclos que se fecham, pessoas que partem e caminhos que se bifurcam.... e que tudo isso faz parte do grande desenho da existência...
E o amanhã?
Ah, o amanhã… esse território que ainda não conheço, mas que me sorri de longe.
Deixo que venha no seu tempo...
Receberei o que tiver de chegar com o coração aberto, o riso solto e a alma tranquila, porque aprendi que o que importa é estar desperto para o aqui e o agora.
No fim, tudo se resume a isto: viver.
Viver com coragem, com ternura, com gratidão.
Viver com os olhos cheios de mundo e o peito cheio de sonhos.
Viver de forma tão verdadeira que até o tempo, ao passar por nós, abrande por um instante...só para nos ver....
... apenas, só para nos VER!


Comentários
Enviar um comentário