O eco das almas que se tocam

“Ser empata é viver com o coração em pele viva...sentir tudo, até o que o mundo finge não sentir.
É adoecer com a dor do outro e, ainda assim, escolher responder com amor.
É ter a alma cansada, mas o coração desperto.
E, apesar de tudo, continuar a acreditar na luz.”
Uma carta às almas que sentem demais
Desde que me lembro de existir, sempre senti o mundo de forma diferente.
As pessoas chamavam-lhe sensibilidade, mas é mais do que isso, é como viver com o coração aberto, sempre a escutar o que está para lá das palavras.
Sou empata. Sou sensitiva.
E isso não é apenas uma característica: é uma forma de ser, de estar, de respirar.
Ser empata é sentir o outro por inteiro, o riso e o choro, a alegria e a dor....e tantas vezes a mentira... que nos dói e fere.
É perceber a tristeza antes que ela seja dita, é captar a energia de um lugar, de uma pessoa, de um simples olhar.
É acolher o sofrimento dos outros dentro de si, como se o coração fosse uma casa com portas sempre abertas.
Mas também é carregar pesos que não são nossos.
É adoecer por dentro quando o mundo à volta se desintegra, é sentir o cansaço que vem do invisível, é chorar sem saber se a lágrima é nossa ou de alguém que amamos.
O empata adoece quando o outro finge estar bem.
Adoece com o silêncio, com as falhas que sente e que ninguém admite.
Adoece quando vê injustiça, quando presencia frieza, quando percebe que alguém se afasta sem dizer porquê.
Porque o empata lê tudo... até o que é escondido e guarda dentro de si o que os outros não sabem lidar.
O corpo sente o que a alma não consegue expressar.
A mente tenta compreender, mas o coração sente primeiro... e, sente fundo!!
Por isso, quando um empata sofre, não sofre só pela sua história, mas pelas histórias que o tocaram, pelos corações que tentou curar, pelas ausências que não quis aceitar.
Sou sensitiva.. sinto o que não se vê.
Sinto vibrações, intenções, presenças.
Sinto quando uma alma fala em silêncio.
Há momentos em que uma energia me atravessa, suave ou intensa, e eu simplesmente sei... sem precisar de explicações, sem provas, apenas sinto.
Ser assim é viver entre dois mundos: o visível e o invisível.
Entre o que é dito e o que é sentido.
Entre o humano e o espiritual.
E, mesmo quando é cansativo, não o trocaria por nada.
Porque é através dessa sensibilidade que compreendo o que é amar sem limites, cuidar sem ser pedido, e reconhecer uma alma mesmo antes de ouvir a sua voz.
Nem todos compreendem este dom...e está bem assim... ja não me magoa...
A empatia verdadeira é silenciosa, discreta, mas profunda.
É uma forma de luz que não se vê, apenas se sente.
E foi essa luz... ou talvez esse chamamento...que me fez cruzar o caminho de alguém especial.
Um encontro de energias que se reconheceram, mesmo sem saber porquê, mesmo sem precisar de palavras.
Há silêncios que dizem mais do que qualquer frase.
São silêncios que não doem...apenas ecoam o que foi sentido.
Há pessoas que passam pela nossa vida e deixam algo que não sabemos explicar... uma vibração, uma memória energética, um carinho que fica no ar.
Sinto falta das palavras, da voz, das pequenas presenças.
Mas aprendo que o sentir, quando é puro, não precisa de proximidade física.
Basta saber que o outro existe, algures, e que, de alguma forma, a alma dele também sentiu a minha.
Sou empata. Sou sensitiva.
E por isso, mesmo sem palavras, percebo quando algo vibra de volta.
Às vezes é num gesto simples, num olhar ou numa energia que me toca à distância....
Essas respostas invisíveis são suficientes, são o eco.
O eco de duas almas que se tocaram, por instantes, num tempo em que o sentir era tudo.
E, no fim, percebo que a empatia não é uma fraqueza.
É uma força antiga, uma herança da alma.
É a capacidade de amar o outro sem o possuir, de querer a sua paz, mesmo que isso signifique distância.
Porque o amor, quando nasce de almas que se reconhecem, não pede...abençoa.
Quando tudo se torna demasiado, volto ao silêncio.
É nele que me reencontro, que desligo o ruído do mundo e escuto a minha própria respiração.
No silêncio, as dores dos outros perdem o peso, as minhas emoções voltam ao lugar certo, e o coração aprende novamente a bater no seu ritmo.
O silêncio não é ausência... é cura.
É nele que a alma se recompõe, que o amor se purifica, e que a empatia deixa de ser dor e volta a ser luz.
É assim que me curo.
“Silencio-me… e o universo fala-me em paz.”


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