O Coração Que Tudo Sente: A Minha Maior Fragilidade, a Minha Maior Força”

Há dias em que sinto tudo tão profundamente que parece que o mundo inteiro repousa dentro de mim. As alegrias dos outros, as dores que não são minhas, os silêncios, os gestos pequenos… tudo me toca de uma forma que às vezes nem consigo explicar. Durante muito tempo achei que isso era um exagero meu, como se sentir fosse algo que precisasse de ser controlado. Mas com o tempo percebi que esta sensibilidade não é um defeito: é a forma como existo, é a minha verdade mais íntima...é o meu modo de estar no mundo...com o coração aberto!!!
Tentei muitas vezes endurecer, relativizar, “não levar tão a peito”!!!!
Mas, não sou assim.
Eu sinto fundo.
Hoje vejo que isso me permite captar pormenores, perceber intenções escondidas, reconhecer a dor silenciosa, identificar a alegria tímida... Como se de uma espécie de radar emocional se tratasse... um radar que me aproxima das pessoas, que me orienta, que me permite estar realmente presente.
A minha sensibilidade é uma força, mesmo quando dói.
Aceitar a intensidade... é uma liberdade! Antes lutava contra as emoções, agora escuto-as.
Quando acolho aquilo que sinto...mesmo quando é desconfortável, a emoção deixa de ser tempestade e transforma-se em mensagem.
Tudo o que chega com força traz algo para ensinar. Nada chega para me destruir, apenas para me transformar....My God! Também é algo que eu aprendo... todos os dias!!!
Faço isso!!! Mesmo que doa...:
TRANSFORMO.
A emoção que me abala (termo alentejano) é a mesma que me move...
Já me empurrou para decisões importantes, para gestos que fizeram diferença, para passos que precisava de dar.
Quando sinto... eu faço!!! Eu..vou... eu...sou... Nao penso... em mais nada!!! Escrevo, crio, ajudo, movimento-me...
A força que às vezes parece demais é exatamente a força que me conduz...
Aprendi também a proteger a minha energia como se fosse algo sagrado... porque é!!!
O corpo fala, a alma avisa, o silêncio interior orienta.
Hoje respeito a minha necessidade de pausa, afasto-me de ambientes que drenam, permito-me respirar fundo, permito-me ser....
Cuidar de mim, em silêncio...não é egoísmo: é a única forma de continuar presente, inteira e disponível para os outros...
Ser sensitiva não me afasta da vida. Aproxima-me dela. Permite-me tocar e ser tocada, criar laços profundos, entender o que não é dito, agir com empatia mesmo quando ninguém vê.
Transformo emoção em cuidado, cuidado em impacto, impacto em significado.
No fim percebo sempre a mesma coisa: a minha sensibilidade não é um peso que carrego, é um farol que ilumina o meu caminho...e, às vezes, ilumina também o caminho de quem passa por mim....
Mas, infelizmente... NÃO ENTENDE.


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