O lugar onde poucos chegam...

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Há quem pense que me conhece… mas a verdade é que quase ninguém chega realmente a mim. Não porque eu me esconda... eu estou sempre inteira, sempre transparente...mas porque poucos têm a capacidade, ou a vontade, de ir além da superfície.

As pessoas olham, imaginam, inventam versões de mim… e depois surpreendem-se quando eu levanto muros!!!

Como se eu tivesse obrigação de deixar entrar quem não soube sequer bater à porta... 
Não me incomoda que não me queiram por companhia. A sério. Se não me querem, é simples: não me merecem...
Nunca tentei ser a mulher “fácil”, “leve”, “normal”. Sou diferente.. e dói, por vezes. Dói porque ser diferente neste mundo exige resistência… que poucos aguentam!!! Mas habituei-me. Cresci nesse espaço onde ninguém encaixa bem e aprendi a viver nele como território meu...
Sou exigente. Exigente comigo, exigente com o que sinto, exigente com quem deixo tocar a minha alma. É por isso que, ironicamente, sou daquelas mulheres que supostamente ninguém deveria perder… mas perdem-me todos os dias.

Perdem-me porque não sabem ler-me, porque não sabem sentir-me, porque não sabem sequer a profundidade que é preciso para ficar...
As pessoas nunca chegaram verdadeiramente a mim da forma como eu chego a elas. É estranho, não é? Eu mergulho fundo, percebo nuances, sinto antes de ver, leio o que não foi dito… e, no entanto, quando é a minha vez, quando sou eu a abrir espaço para que alguém entre… as pessoas ficam à porta, presas ao que pensam que eu sou. Nunca ao que realmente sou.
E é precisamente aí que eu construo muros... não por frieza, mas por proteção! Porque não há nada mais cansativo do que ser mal interpretada por quem nem sequer tentou compreender-me. Muitos criam um retrato superficial, uma fantasia qualquer do que acham que sou… e depois agem em função dessa ilusão. E eu? Eu observo, em silêncio, e fecho as janelas. Quem não sente, não entra.
Depois há os homens… ah, os homens parvos.
Nem sei como explicar o nível de distração emocional, de falta de sensibilidade, de medo, de preguiça até! 

Há quem se deslumbre com a ideia que faz de mim, mas não tem coragem para descobrir a mulher real...a mulher intensa, profunda, exigente, espiritual, forte, intuitiva. Preferem a imaginação à verdade. Preferem a zona quentinha onde nada muda à aventura de conhecer alguém como eu.
Talvez porque eu não permito metades.
Talvez porque amar alguém como eu exige presença, inteligência emocional, entrega.
Talvez porque eu não aceito migalhas... e há quem só saiba dar migalhas! 
Mas no fim, há uma coisa que nunca muda:
eu valho mais do que a comodidade dos outros.
Valho mais do que a falta de coragem alheia.
Valho mais do que qualquer tentativa frágil de encaixar-me num molde que nunca foi meu.
Eu sei quem sou. Sei o que sinto. Sei o que ofereço.
E quem não souber acompanhar a minha profundidade… que fique no raso.
Há quem se assuste com a profundidade, mas eu não vivo à tona. E não espero que alguém aprenda a respirar por minha causa.... 

E agora estou aqui, sozinha, a olhar para o mundo como quem olha para dentro. Entre as árvores, o vento e esta luz que cai devagar, sinto-me quase devolvida a mim mesma. A natureza tem esta força estranha: abraça-me sempre que eu me esqueço do meu próprio lugar.
E, por um momento, é como se tudo fizesse sentido.
Como se o silêncio me conhecesse melhor do que qualquer pessoa.
Como se eu pertencesse mais a este instante do que a qualquer história que tentei construir fora de mim.
Ainda assim… algo me inquieta.
Um peso leve no peito, um pensamento que não se deixa nomear.
Não é tristeza declarada... Não me sinto triste!!! ....é apenas um murmúrio interno, uma sombra suave que passa e se instala, discreta, como quem pede atenção mas não quer ser explicada...
Eu não digo.
Eu não admito.
Não preciso.
Apenas respiro.
E deixo que o vento me lembre que, mesmo quando duvido de mim, mesmo quando me sinto pequena ou invisível, há sempre um lugar onde sou inteira... e esse lugar começa sempre aqui, no meu próprio silêncio, no espaço onde finalmente me encontro.... 

 

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