Entre o Sol e a Sombra

Não sei quando o pressenti.
Talvez no modo como o silêncio me tocou
sem querer, sem pedir licença.
Há dores que se reconhecem,
mesmo quando não se confessem.
E há almas que se aproximam
como se tivessem caminhado séculos
até se encontrarem ali...
entre o nada e o quase.
Ele traz o peso do inverno nos ombros,
e eu, o fogo inquieto do verão.
Ele guarda-se...
eu transbordo.
Ele cala...
eu procuro o som da vida.
Mas algo em mim fica quieto diante dele,
como se a minha luz soubesse
que há sombras que não se dissipam...
apenas se respeitam.
Não quero, não espero...
mas há qualquer coisa em mim
que se inclina quando o vejo...
um gesto antigo,
um murmúrio que não se entende.
E então finjo que é nada,
que é vento.
Há encontros que não acontecem,
mas deixam a marca de um quase.
Não foi o tempo, nem o toque...
foi o silêncio que falou primeiro.
Ele vem da sombra,
onde as palavras pesam
e o olhar mede distâncias.
Traz o inverno no peito,
e ainda assim… há lume,
guardado sob a cinza.
Eu, filha do sol, da lua..
acendo-me fácil, rio cedo,
acredito no impossível
até que o impossível sorri.
Mas diante dele aprendi o recato,
o passo contido,
o gesto que não ousa florir.
Há afinidades que doem
pela impossibilidade do gesto.
E no entanto,
há qualquer coisa de inteiro
naquilo que nunca se diz.
Mas sei…
que há ventos que ficam,
mesmo depois de passar a tempestade.
Cláudia Távora 11/10/2025


Há poemas que, de tão bem escritos que são, parecem encaixar na história e na vida de tanta gente. Gente que na maioria das vezes nem sabe expressar o que sente e que através desses poemas tem a oportunidade de reconhecer e experenciar sentimentos que nem sabiam ter. Este teu poema "Entre o Sol e a Sombra" é um deles. Parabéns! Um abraço.
ResponderEliminarMuito Obrigada!! Fico Feliz... Abraço!
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