Depois da tempestade, Eu...

 


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Chamaram-me frágil. Querem acreditar? Leitores de poucos textos meus... pessoas pouco habituadas a mim...Este é um manifesto das mulheres reais... sou como muitas que conheci! Chamaram-me frágil! 


Mas o que chamaram de fraqueza, eu chamo de renascimento.


Eu não nasci forte, fui forjada pelo tempo e pelas pessoas más, moldada entre o frio das deceções e o fogo das lutas. Hoje, cada cicatriz é a assinatura da minha força. Essas pessoas ensinam-me a toda a hora quem eu não quero ser e, deram-me, sem saberem, o dom de me tornar inquebrável.


Na dor, no silêncio, nas noites em que ninguém veio, percebi que a minha força começa onde os outros fogem. Tornei-me tempestade que ninguém sabe prever quando chega…


Enquanto o mundo dormia, eu aprendia a salvar-me… a enfrentar as desilusões e a buscar em mim própria a força que não sabia que tinha.


Enquanto riam da minha fragilidade, eu construía a minha coragem.


Já caminhei pelo inferno de cabeça erguida e, mesmo com os pés queimados, continuei.


Já me chamaram “demasiado”, “difícil”, “impossível” e ainda assim, aqui estou, inteira, sem pedir desculpa por existir.


Descobri que há poder em sobreviver quando tudo à volta nos empurra para o chão.


O segredo não é.. não cair, é levantar-me sempre, mesmo de rastos mas com o coração em brasa… apegado ao que é certo e justo!


Sou aquela que aprendeu sempre a respirar de novo, a não temer algum fim… porque para mim… é sempre um recomeço. Tornei-me mais inteira mais justa e fiz de mim a mulher que faz do próprio caos o ponto de partida.


Aprendi que não é o amor dos outros que me salva, é o amor que aprendi a dar-me quando ninguém mais ficou….


Já não vivo à espera de ser escolhida.


Escolho-me, todos os dias.


Com as mãos trémulas, com o coração a sangrar, mas de pé.


Aprendi que amor-próprio não é vaidade, é sobrevivência.


Chamaram-me fria, mas eu só aprendi a ser seletiva.


Chamaram-me intensa, mas eu apenas sinto o mundo em toda a sua crueza e beleza, sem defesas nem disfarces, olho-o como poucos têm a coragem de olhar… como se cada detalhe me tocasse…


Chamaram-me difícil, mas eu só deixei de aceitar metades.


Eu não preciso ser salva, quero antes ser livre.


Não quero ser compreendida, quero ser respeitada…. tanto me faz que me compreendam! Quero que sintam! Só quem sente avalia o peso que o outro carrega. Mal o meu ter nascido sensitiva…sentir os outros, como sinto. 


Não quero ser perfeita como tantos me querem moldar, quero ser inteira… verdadeira, autêntica.


Enquanto alguns posam de visionários, em jornais e revistas, confundindo eco com voz e aparência com sabedoria, eu sigo o meu caminho, em silêncio, mas a ver bem mais claro do que eles!!!


Porque a verdadeira inteligência não vive de aparências, nem precisa de ecoar o vazio dos poderosos para se sentir grande!! Meu Deus, que gentinha infeliz! Esta gente que precisa destes orgasmos psicológicos para se afirmarem… valha-me a mim a paciência!!!


Uma mulher real não se impressiona com discursos brilhantes, ela reconhece a ausência de luz atrás das palavras.


Eu sigo em frente, sem aplausos, sem plateia.


Porque eu não preciso de fingir grandeza, se não a tenho, vou construindo pedra sobre pedra, em silêncio… no meu silêncio apaziguador de verdades.


E se há coisa que aprendi é que o mundo está cheio de palermas sem poder, armados em senhores importantes.


Mas eu não preciso deles, nunca precisei.


A minha força não vem de quem me abre portas, vem de eu ter aprendido a arrombar as que me fecharam.


A minha força não vem do poder, vem da verdade.


Da paz de não dever nada a ninguém, de ser exatamente quem sou, sem filtros, sem teatro.


Porque a mulher que eu sou já não pede licença para existir.


Já não se curva, já não finge, já não espera.


Não temo a tempestade, fui moldada por ela... sou a calma depois da dor, a chama que ninguém conseguiu apagar.


E quando me dizem “não consegues”,


eu sorrio e respondo:


“Vê-me.”

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