Almas reconhecem almas

Almas reconhecem almas
Este é o texto mais pedido pelos meus leitores. Falar de almas que se encontram e reconhecem é algo que vou sempre falando aqui no blog, hoje vou dedicar um pouco mais de mim a este tema que me é, efectivamente, fácil de expor. Pela experiência, pela meu dom sensitivo, julgo que posso esclarecer de alguma forma os meus leitores.
Há encontros que não precisam de explicação, acontecem como se o universo desse um pequeno nó no tempo, alinhando duas linhas que, por alguma razão, tinham de se cruzar.
E quando isso acontece, não há lógica que baste, nem palavras que traduzam o que o coração já sabe. Muitas vezes, a razão afasta-nos do que devemos sentir...
As almas reconhecem-se.
Não é algo que se veja, é algo que se sente. É uma vibração antiga, um eco de vidas que se encontram de novo. É aquela sensação estranha de já ter estado ali, de já ter ouvido aquela voz, de já conhecer aquele olhar antes mesmo de ele pousar sobre nós.
O espelho e o choque...
Há algo de profundamente romântico e, ao mesmo tempo, doloroso nesse tipo de encontro.
Porque o reconhecimento entre almas não acontece apenas para trazer doçura...muitas vezes vem também para despertar o que dorme em nós, as feridas, os medos, as memórias que escondemos debaixo da pele.
Quando uma alma encontra outra que a reconhece, há uma espécie de espelho invisível que se forma.
Vemos no outro aquilo que somos e, por vezes, aquilo que evitámos ver.
É um reflexo nu, despido de máscaras e de vaidades.
É um confronto e, simultaneamente, um abraço.
O rasto que fica...
Essas almas, quando se cruzam, podem permanecer lado a lado por um tempo, um instante ou uma vida inteira.
Mas a duração nunca é o mais importante.
Porque há encontros que valem por si mesmos, que bastam por existir.
São como uma chama que acende algo que estava esquecido: o sentido de pertença, o amor verdadeiro, o reconhecimento silencioso de que não estamos sós neste vasto caminho que é viver.
E quando uma dessas almas parte, porque às vezes tem de partir, o vazio que fica não é de ausência, mas de presença profunda.
É como se a energia do outro permanecesse em nós, a soprar baixinho nos momentos de dúvida, a lembrar-nos que fomos vistos, compreendidos e amados de forma inteira.
Há uma melancolia bonita em perceber que certos encontros não são para durar, mas para transformar.
Nem sempre as almas que se reconhecem seguem juntas, mas nenhuma delas sai igual depois do encontro.
O fio invisível...
Dizem que quando duas almas se reconhecem, não há como escapar.
Porque esse reconhecimento não depende do corpo, do toque, nem sequer da presença física.
É um vínculo que transcende o espaço e a lógica.
Podes afastar-te, mudar de cidade, de vida, de rumo, mas algo dentro de ti continua a responder quando o nome daquela alma é pronunciado, mesmo que seja só em pensamento.
Almas reconhecem almas, e é nesse reconhecimento que encontramos o verdadeiro amor, aquele que não pede, não exige, não prende.
Aquele que simplesmente é.
Um amor que cura, que desperta, que liberta.
Talvez todos nós andemos por aí, meio perdidos, à procura das almas que falam a mesma língua que a nossa, uma língua feita de silêncios, de olhares que dizem mais do que palavras, de presenças que aquecem mesmo à distância.
E quando finalmente encontramos uma dessas almas, o mundo muda de cor.
O tempo abranda.
E o coração, cansado de tanta espera, sussurra baixinho: “Ah… és tu.”
E o fim ou... o recomeço...
Há almas que vêm para nos ensinar o amor.
Outras, a despedida.
Mas as que realmente nos tocam… ficam, mesmo quando já partiram.
Vivem em cada gesto, em cada lembrança, em cada suspiro que teima em repetir o nome que o destino gravou no peito.
Porque o reconhecimento entre almas é eterno, não conhece tempo, nem corpo, nem morte.
Quando duas almas se tocam de verdade, o universo cala-se por um segundo.
E nesse silêncio absoluto, tudo o que somos se recorda:
Que já nos encontramos antes.
Que nos voltaremos a encontrar.
Que nada, absolutamente nada, poderá apagar o que foi sentido.
E é nesse instante... breve, profundo, avassalador, que compreendes:
as almas não se perdem... apenas se reencontram...
Minha Vida a Nu....Porque há verdades que só a alma entende.
Há quem diga que o destino escreve em linhas invisíveis.
Eu acredito que ele escreve em almas.
E quando duas se tocam, mesmo que de longe, algo desperta, algo se lembra.
Não é um reencontro do corpo, é da essência.
É o instante em que o coração pára de procurar porque, sem saber como, encontrou.
Às vezes cruzamo-nos com alguém e é como ouvir uma música que já sabíamos de cor,
mesmo sem nunca tê-la escutado.
Há uma harmonia antiga, um ritmo que só aquelas duas almas compreendem.
E o mais curioso é que o reconhecimento não vem sempre com alegria.
Há almas que chegam para abalar o que julgávamos firme.
Mostram-nos que o amor também pode ser tempestade...
que sentir profundamente é, por vezes, arder.
Mas há beleza nesse fogo.
Porque é nele que o que é falso se queima,
e o que é verdadeiro sobrevive.
Essas almas não vêm por acaso.
Elas vêm como faróis, para nos lembrar do caminho quando a neblina da vida nos cega.
Podem não ficar, podem até doer,
mas deixam sempre algo aceso em nós:
uma coragem nova, uma paz que vem depois da confusão,
um amor mais maduro, mais inteiro, mais nosso.
E mesmo quando a distância cresce,
quando o tempo apaga as vozes e as promessas,
há algo que resiste: a vibração que ficou.
Um silêncio que fala.
Um sentimento que não precisa de corpo para continuar a ser amor.
Talvez seja isso que chamamos alma,
o lugar onde o que é eterno se reconhece.
E no fim, quando tudo se cala,
o que permanece não é o rosto, nem o toque, nem o tempo.
É o brilho suave do que foi verdadeiro.
As almas não pertencem.
As almas encontram-se e, quando se encontram, nunca mais se esquecem.
Texto original escrito por Cláudia Távora para o blog Minha Vida a Nu.
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