A Aldeia e as Toupeiras que resolveram ver o Sol
Numa aldeia verdejante, cercada por campos férteis e caminhos antigos, viviam várias criaturas. Havia os pássaros que cantavam de manhã, os cães que guardavam as casas, e até as formigas que, incansáveis, trabalhavam todo o ano.
Debaixo da terra, porém, viviam as toupeiras.
Durante muito tempo, ninguém lhes ouvia um som. Enquanto o vento soprava forte, enquanto as chuvas alagavam os caminhos e enquanto alguns animais davam a cara para resolver os problemas da aldeia, as toupeiras mantinham-se confortavelmente nas suas galerias. Diziam que observavam. Diziam que refletiam. Diziam que o momento certo ainda não tinha chegado.
E a aldeia seguiu.
Houve uma grande tempestade numa primavera passada. Muitos animais vieram à superfície ajudar, discutir soluções, assumir posições...uns acertaram, outros erraram... mas estavam lá. As toupeiras, essas, aprofundaram os túneis. “Ainda não é tempo”, murmuravam no escuro.
Mas eis que, certo dia, quando o sol voltou a brilhar e os campos começaram a florescer, pequenos montículos de terra surgiram por toda a parte.
Uma cabeça aqui. Outra ali. Mais além, um focinho curioso.
As toupeiras tinham decidido sair.
“Estamos preocupadas com a aldeia”, diziam agora. “Sempre estivemos atentas”, garantiam. “Temos muito para ensinar sobre como fazer melhor.”
Os animais mais velhos trocaram olhares silenciosos. Não disseram nada. A memória é uma coisa curiosa: pode ser subterrânea, mas nunca desaparece.
As formigas continuaram o seu trabalho. Os pássaros continuaram a cantar. E as toupeiras, deslumbradas com a luz, esforçavam-se por parecer parte da paisagem que durante tanto tempo evitaram enfrentar.
Moral da história?
Há quem escolha a sombra quando o vento sopra… …e há quem só descubra o sol quando o céu já está limpo.
Mas a terra... essa...sabe sempre quem a pisou quando o caminho era difícil.



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