Receio de ficarmos sós?

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Esta foi uma sugestão de texto de um dos leitores deste blog. Abracei de imediato a ideia pois, de facto, julgo que a minha forma de ver a vida poderá ajudar quem tem esse receio...


Vamos regressar ao tempo em que o meu divórcio se efetivou... O que sofri... não foi por ter perdido a minha cara metade, porque de metade.. ou de companheirismo de vida... não tinha nada.. ou deixou de ter nos últimos 5 anos de casamento. Sofri, por ter de viver sem o companheirismo dos meus filhos. Estavamos sempre juntos... e, passar um fim de semana sem a mãe... principalmente o mais pequeno quando, na altura me levantava durante a noite para ele deixar a fralda da noite... isso... doeu bastante. Mas, se senti receio de ficar só? Não. Não senti. Aliás, muitas vezes optava por estar só... quando poderia sair... conhecer novos amigos... ou mesmo... aceitar encontros e jantares com possíveis candidatos a colocarem de novo o amor no meu coração.


Não. Saí com amigos chegados... mas, nada de sentir como algumas amigas divorciadas sentiram... pressa em encontrar alguém...roupas ousadas... saídas para todas as festas... Não. Não senti necessidade de alterar a minha vida. Ainda que, muitas vezes, alguns amigos me apresentavam pessoas... mas, não era hora para refazer a vida com ninguém... só porque sim... Mesmo que fosse uma paixão desmedida... Julgo que nos devemos dar tempo para refazer quem somos. O que gostamos. O que queremos. Algo que se vai perdendo nas relações de 18 anos... como a minha..


Por isso, senti a necessidade de me reencontrar. Havia deixado no passado alguém que nunca deveria ter mudado por nada ou por ninguém... Talvez, não tivesse sofrido tanto... se não tivesse deixado de ser Eu.


Senti a necessidade de me libertar de tudo o que me apegava. Ainda estou nessa fase... libertei algumas ligações... deixei-as voar... Receio de ficar só? ... Há amigos que nos condenam por não ligar, não aparecer... não sair... Muitos dizem... se não apareceres é que ninguém repara em ti... e ficas sozinha.


Eu, não tenho medo de atravessar a vida sem que encontre um companheiro de vida... Eu, aprendi, da pior forma, que as pessoas mudam com o tempo.... principalmente aquelas que dependem de tudo e de todos. Daquelas que abarcam em relações imediatas e mudam a personalidade para conquistar... para agradar... para se sentirem seguros.. porque têm uma muleta na vida.


Eu... leio muito. Tenho lido muitos blogs... claro! Alguém escreveu sobre o Amor... e... falou em Amor Próprio! Claro que alguém como a autora... tem amor próprio... mas, nada tem a ver com o meu amor próprio. Ela vive com a necessidade de se expor... de receber elogios... de vender a imagem...de se sentir bonita... de mostrar isso!!!


Eu, falo em amor próprio... quando sinto que sou a minha melhor companhia... adoro fazer tudo comigo... quando me amo ao ponto de me desapegar do que é traiçoeiro na vida. Receio de ficar só? O meu primeiro livro, não editado, chama-se "Solidão minha, não de mim!" ... Tenho por mim... um respeito imenso... respeito-me ao ponto de não querer procurar muletas... os meus filhos precisam da minha atenção... e, eu não a quero dividir com alguém.. só porque estou só... Um dia eles voam. Eu espero que voem. Quero que eles sejam como eu... desprendidos do que nos afasta de quem somos... de quem nos exige gostar do que não gostamos... de quem exige atenção porque é dependente dela... Não somos obrigados a viver a vida que alguém quer que nós vivamos...


Se isso significar... que eles... voem para longe e me deixem só... Eu, consegui que eles também não tivessem medo de ficarem sós... Porque no fundo, no fundo... nunca estamos sós no mundo. Aqueles que nos amam como somos... entendem a necessidade de desapegar... e, aí... sabemos que não estamos sós. E quem nos fez ver a vida assim... é a quem nos dedicamos mais... e mais, sabemos que não temos receio.... de nada!


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E...quanto mais pensarmos em encontrar alguém... com esse receio de ficarmos sós... mais nos afastamos de quem somos... e, voltamos a cair no erro de nos apaixonarmos por alguém que não nos ama como somos... mas sim, que tem uma ideia de nós... aquela ideia de que... são perfeitos porque se sujeitam a ser... quando tudo é a maravilha do início de uma relação.


Não tenho receio de ficar só. Também porque na vida... construí imensas amizades... das melhores que podem existir. Por todos os locais por onde passei... fiz amizades puras... que, ainda hoje, sei... se me sentir só.. basta ligar.


Expormo-nos perante quem realmente nos quer conhecer com todas as nossas falhas, virtudes, manias, formas de estar, de sentir... é um passo para grandes amizades... e inícios de relações puras e verdadeiras. Não estaremos nunca sós.


Que importa se a cama está vazia? Quando sabemos com quem queremos acordar todos os dias? Isso... implica sabermos o que queremos e somos... e, saber que, não é por a cama estar vazia que estamos sós.


Tenho receio é de voltar a sentir que não sou eu...mesmo que a cama esteja quentinha.


Depois... todos nós... devemos saber...que, na vida... só está só... quem nunca viveu o que era...


 


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Na verdade...é um facto... eu, sei que vou chegar ao fim da minha vida... muito bem acompanhada...também por mim!!!


porque... fui capaz de estar sozinha... de me reconhecer... e, dar aos outros exatamente o que sou...


desta forma... sei que vou estar rodeada de pessoas que me fazem ser EU!


Não receio... ficar só. Nunca.

Comentários

  1. Impressionante como partilho e concordo integralmente com o que escreveu. Tenho amigos e amigas divorciados que se sente de longe o desespero para encontrarem alguém.... Quando só têm de se encontrar a eles próprios!

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  2. Precisamente... contudo, existem muitas pessoas que dependem muito de atenção e de sentirem-se o centro do mundo... para alguém... quando o devem ser para elas próprias! Obrigada pelo comentário!

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