Uma recordação...

Quando recordamos o passado, vivemos cada segundo do que sentimos naquele dia, naquela hora. Tantas coisas boas para recordar... bons momentos em que, como mãe, tentei ser exemplo de trabalho, dedicação, de companheirismo, de sorrisos... Nem sempre foi fácil. Preferimos recordar momentos especiais... mas, esses momentos especiais aconteceram porque outros maus aconteciam paralelamente.
Meus doces filhos, não partilharam o sonho de criança como a vida lhes poderia ter proporcionado. Antes, viveram emoções de uma mãe a querer sorrir a toda a hora... de uma mãe a lutar constantemente para lhes dar o abrigo e a segurança que necessitavam. No passado, fui pai e mãe... o pai estava bastante ocupado no trabalho, nos seus hobbies, nas suas viagens que, momentos em dias especiais... eu tinha de ser a parva que exigia... a doente que falava do que não sabia.
Mas, momentos destes, não se exigem a ninguém. Agora compreendo. Apenas as prioridades minhas eram diferentes.
Tal como agora o são. Deixei de viver os meus sonhos e passei a viver os sonhos deles. A lutar constantemente pela sua felicidade. Gosto que encarem a vida como um dia no campo... sem pressas, sem companhia, sozinhos.
O enfrentar todos os desafios pode ser desgastante para uma pessoa só. Acreditem, viver com medo, viver cansada por querer agradar a toda a hora, viver presa a alguém que nem quer saber se estamos cansadas, tristes, desmotivadas... apenas quer... perfeição na organização dos meus dias para eu poder cumprir as tarefas de mãe e pai...nos torna cada vez mais capazes de enfrentar outros fantasmas que existam no passado. E, a exigir de nós a solidão que nos é mais benéfica. Não ter ninguém a quem exigir atenção que não querem dar... facilita muito a nossa vontade de viver momentos bons sem que os maus estejam presentes.
Todos os momentos que partilhamos com os nossos filhos devem ser para eles, por eles e, sem pressas. Deixá-los correr em busca do que querem... mostrar-lhes que não devem ter medo dos bichinhos ou das flores que picam... ser, sobretudo exemplo. Não ensinar aquilo que através do exemplo não somos capazes de o fazer.
Uma aventura, um momento que deve ser perfeito. E, se tiver de ser... um momento solitário... que seja nosso. Eterno.
Mas, sobretudo que seja... um momento real. Não inventado. Não produzido. Apenas, um momento que acontece com aqueles que amamos e, por não ser planeado, organizado... não é perfeito... mas, é feliz.


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