A criança que teimo em lembrar... para viver feliz!

Esta é a Claudinha. Uma menina irrequieta, malandreca e cheia de força.
Uma menina que nada lhe passava ao lado. Compreendia tudo o que acontecia à sua volta e, fazia tudo para ver todos felizes. Não gostava das injustiças e, por isso, muitas vezes fazia malandrices a quem as cometia... Na sua ideia, todos deveriam ser tratados por igual e, quando na escola via que alguns meninos não almoçavam ou não lanchavam insurgia-se contra as funcionárias (pensava ela que as senhoras eram culpadas). O Gabinete do Conselho Diretivo recebia, todas as semanas a visita da Cláudinha!! Eu pedia à minha mãe para almoçar na escola e, almoçava.. mas, pedia 4 sopas, 3 pratos... e fruta... ui... exagerava no pedido mas, os meninos ficavam contentes... Quando se aperceberam lá vai ela... a sorte, é que quem muitas vezes falava com ela era o padre que pertencia à direção. E, ele, aceitava este tipo de malandrices... pedindo-me apenas para não querer salvar o mundo e todos... porque isso, nunca ninguém iria conseguir.
Não havia causa onde não metesse o nariz e, muitas vezes, ficava triste por não conseguir.

Sempre foi muito ligada à Natureza. Adorava observar o que a rodeava e muitas vezes ía tentar descobrir nas enciclopédias o que via. Claudinha detestava ficar dentro de casa. Até para ler... ela ía para o jardim.. para a beira dos cães, dos gatos, seus amigos fieis. Era bastante corajosa e, muitas vezes, não se apercebia dos perigos, pegando em cobras, encontrando ninhos de ratos... para os ver crescer. Não tinha medo de nada. Nem do escuro...no verão, os pais deixavam brincar até mais tarde no jardim... muitas vezes, jantavam no jardim... e, para quem não queria telhados e paredes... era uma grande alegria.

Os pais sempre se entusiasmaram para dar à Claudinha e à mana... motivos para gostar de estar na quinta. Baloiços, escorregas, carrinhos de rolamentos... foram construídos e, não havia sítio melhor para estar. Ainda hoje a Claudinha gosta do baloiço...
Mas, a quinta oferecia muito mais. Oferecia a criatividade nas brincadeiras. Tantas vezes, as duas inventavam histórias e, recriavam o pouco que viam na televisão... cantavam... dançavam... andavam de bicicleta... Claudinha teve tantos e bons momentos no jardim...
A quinta oferecia também momentos de casa cheia... quando eram as colheitas... as desfolhadas, a apanha da azeitona... em casa, ninguém parava. Mesas cheias de gente que ía ajudar... o cheirinho da comida...o cheiro das pessoas que adoravam trabalhar a terra... e, sentíam-se felizes por isso. Gente que ensinava a fazer... a ser.
Como a Claudinha adorava estar com estas pessoas... muito mesmo.

Claudinha teve duas senhoras que a marcaram...viviam em casa e ajudavam nas tarefas da casa e da quinta... Uma, Olinda, levava-a por todo o lado...nunca deixava a Claudinha sozinha. Mas, dela, a Claudinha apenas se recorda da imagem dela a sair pela porta da garagem e, como chorou...como custou essa despedida...
A outra senhora era a Senhora Rosa...carinhosamente chamada de Serrosa. Ensinou a Claudinha a cozinhar, a plantar feijão verde, tomates, couves, morangos, rabanetes... e, durante anos, sentiam que a Serrosa era feliz. Infelizmente, sofreu imenso com problemas familiares... e, quando a visitaram no hospital... já nem conseguiram despedir-se de tão fraquinha que já se encontrava... Ela foi Feliz. E, se a Claudinha gosta de sopa... também se deve a ela que, se deliciava ao pequeno almoço com a sopa de couve galega... é um cheiro que também não foge da memória da Claudinha...

Foi, para a Claudinha, uma infância marcada por inúmeros problemas... que a fizeram crescer mais depressa do que era suposto. Isso... daria outra história. Mas, a Claudinha prefere recordar o que de melhor a sua infância lhe trouxe. Capacidade de lidar com a vida. Capacidade de viver intensamente todas as emoções... esta é, um pouco, da criança que teimo em lembrar... para que ela ainda exista em mim.
Um dia... voltarei a recordar... outros episódios da vida da Claudinha... que, não se incomoda se gostam ou não dela... porque tudo o que a rodeia...a faz feliz...


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