Há pessoas que passam a vida inteira a tentar esconder um problema que elas próprias criaram.
Não porque não saibam que existe... mas porque não conseguem suportar a responsabilidade.
Então constroem máscaras.
A primeira é a da normalidade funcional.
Trabalham. Relacionam-se. Constroem família. Mudam de vida. Por fora, tudo parece avançar. Por dentro, nada foi resolvido.
A segunda é a da vítima sofisticada. Nunca falam do que fizeram. Falam do que sentiram. Do que sofreram. Do quanto foram incompreendidos. Os factos ficam sempre fora do enquadramento.
Depois vem a manipulação emocional fina, aquela que não deixa provas. O vai-e-vem constante. A aproximação que confunde. O afastamento que castiga. A instabilidade que não é perda de controlo... é estratégia.
Quem está do outro lado começa a duvidar de si. E essa dúvida é poder.
Há também a transferência permanente de culpa. Nada é assumido até ao fim. Há sempre um contexto, uma explicação, uma reação alheia que “obriga”. Assim, a pessoa nunca olha de frente para o impacto real do que faz.
E quando confrontada? Nega. Relativiza. Minimiza. Ou muda de personagem.
Há quem confunda amor com posse. Ligação com controlo. Persistência com obsessão.
E o mais perverso é isto: não largam quem já seguiu em frente.
Não porque amem... mas porque não suportam deixar de ter influência.
Quem faz trabalho psicológico sério aprende cedo uma verdade desconfortável: nem toda a agressividade é barulhenta, nem toda a violência é física, nem todo o desequilíbrio parece loucura.
Algumas pessoas parecem perfeitamente adaptadas. Apenas não toleram perder poder sobre quem já não depende delas.
E sim.... e sim!!!
Estou a falar de alguém que ocupa um lugar permanente na minha vida.
Não por escolha emocional, mas por vínculo inevitável!!!!
Um vínculo que obriga maturidade de um lado e expõe, repetidamente, a ausência dela do outro.
Não escrevo isto por ódio nem por vingança.
Escrevo porque negar a realidade nunca protegeu ninguém... muito menos crianças ou os meus filhos!!
Quando alguém repete padrões de controlo, distorção emocional, instabilidade e perseguição ao longo dos anos, em diferentes fases da vida, com diferentes pessoas, o problema deixa de ser “o outro”.
Passa a ser interno. Não resolvido. Não tratado.
Há dores que não se curam com novas relações. Há falhas que não se apagam com mudanças de cenário. E há conflitos internos que, quando não são enfrentados, tornam-se destrutivos para quem está por perto.
Dizer isto não é atacar.
É reconhecer o óbvio.
Há pessoas que precisam de ajuda profissional séria. Não de validação social. Não de novas narrativas. Não de silêncio cúmplice.
Precisam de tratamento.
Porque aquilo que não é tratado, repete-se.
E aquilo que se repete, magoa.
E quanto a mim, fica o que quase nunca se diz.
Fica o peso de ter de lidar, para sempre, com alguém emocionalmente vazio.
Alguém incapaz de empatia real.
Alguém inerte por dentro.
Frio. Repetitivo. Psicopático nos padrões....não por insulto, mas por ausência.
Aturo porque sou mãe.
Aturo porque protejo.
Aturo porque alguém tem de ser adulto quando o outro permanece prisioneiro da própria patologia.
Não discuto com o vazio.
Não negocio com quem não sente limite interno.
Não espero mudança de quem vive fechado numa estrutura doente.
Há pessoas doentes que não procuram cura... procuram palco.
E quando o palco lhes é retirado, tentam destruir quem já não reage.
O que me resta não é revolta.
É uma lucidez cansada.
A clareza de quem sabe que o problema nunca foi ela... foi apenas quem esteve perto demais.
Carrego esta realidade não porque sou fraca, mas porque sou capaz.
Isto não é um ataque.
É um limite escrito.
E limites claros são uma forma elevada de paz.
Quanto a mim, escolhi outro lugar.
Escolhi não viver em guerra, mesmo quando ela me é imposta.
Escolhi seguir em frente, mesmo quando alguém insiste em puxar para trás.
Escolhi ajudar, facilitar, manter pontes mínimas... não por ingenuidade, mas por carácter.
Se a outra parte seguiu a sua vida, se construiu novos caminhos, então só há uma postura aceitável: respeito. Tudo o resto é ruído. Tudo o resto é perseguição disfarçada de conflito mal resolvido.
Não compreendo... e já não tento compreender... a necessidade constante de ataque, de jogo sujo, de movimentos pensados para ferir.
Isso não é força.
É fraqueza organizada.
Eu não respondo da mesma forma.
Não porque não veja.
Mas porque não sou feita da mesma matéria.
Ultrapasso.
Sigo.
Protejo os meus filhos.
Mantenho-me inteira.
Convivo com esta realidade porque sou mãe.
Porque sou adulta.
Porque alguém tem de sê-lo.
Mas deixo isto claro, em nome da minha paz e da dignidade que escolho viver:
não participo em jogos maliciosos, não alimento perseguições, não cedo a ataques travestidos de conflito.
Isto não é provocação.
É um limite.
E limites não são agressão... são a última forma saudável de convivência quando o respeito falhou.
Da minha parte, fica a verdade limpa, a postura reta e a consciência tranquila.
O resto não me pertence.
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