A realidade do passado… que nos obriga a lutar!

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A realidade do passado… que nos obriga a lutar


***TEXTO EDITADO POR PI SOUSA PIRES 


Dizem que o passado é passado e que o que conta é o presente! Ou… quem sabe, o futuro… um daqueles futuros de bem aconchegar, muito aconchegado, o que fomos… e somos…


Pois bem… só que o passado nunca passa. A nossa história não se reescreve sem ele… mesmo se quiséssemos que assim fosse… Não!… O passado é demasiado profundo e forte… para conseguirmos destronar qualquer tentativa de o renegar… O que conseguimos é que ele… renasça em nós… — é aquela eterna vontade que temos de tentar endireitar o passado!… Mas… eis que ele chega… que ele volta logo, de espada em riste recordando-nos das marcas profundas que nos deixou… e… pior ainda, relembrando-nos que é para sempre que teremos de as continuar a sentir!…  


Podemos sempre engendrar novas formas de encarar os problemas… de tentar renascer das cinzas… mas… aparecem de imediato os eternos monstros ocupando espaços… impedindo qualquer possibilidade de renascer… de tornar verdade a eterna mentira que no passado vivemos… e… sabem mais? Esses monstros vêm sugar-nos… retirar de nós… tudo o que construímos com tanto amor… e com a maior dedicação que alguém possa imaginar…


E quanto mais forte tiver sido esse passado… mais forte é a vontade de desistir de renascer. Afinal… nunca seremos nada… Nunca fizemos nada… Nunca seremos considerados… E se houver alguém que não consegue entender essa angústia… será talvez porque… nunca a viveu!… Ou nunca teve de a encarar de frente e continuou a viver e a reviver o passado…


Não… Não há ninguém que encontre… que consiga encontrar e entender o meu passado… porque… porque… o passado é só meu… É um passado de luta feroz contra monstros, monstrinhos e monstruosidades… que se revelam agora neste presente… mais que doloroso!…


Não há nenhuma vida que se possa apagar… Mas… ainda há quem se ache no direito de fazê-lo!… Alegando… ser bem mais importante… do que aquele que penou… e deixou de viver… e se assustou com a vida e… teve de lidar com os seus estimados monstros. Há quem tenha a soberba de «achar» que não deve nada ao Mundo… e, por isso, sem qualquer dó… tenta retirar de mim… tentar retirar-me todo o meu imenso passado de luta — uma luta de Mãe!…


Qualquer outra luta… que não seja a luta de uma Mãe… me parece ser um qualquer atestado de mentira. Porque nós, mães, recuperamos sempre de tudo… menos das memórias que temos, enquanto… Mães.


Principalmente aquelas Mães… que nunca deixaram de pensar nos filhos… e sempre pensaram muito mais neles do que nelas próprias.


Se isso é motivo para um pai que refez a vida como bem quis… vir a ter agora direito ao direito que teve e não quis… então, o passado… esses tais monstros nefastos do passado… jamais nos permitirão que sejamos felizes… tal como nós… permitimos que eles fossem.


A toda a hora… é uma luta constante… não por um bem maior do que nós… até porque os filhos acabam por ganhar asas… e irão voar… E quem não o fez?… Eu voei… desde cedo, do meu ninho… E o que mais espero é que os meus filhos venham também a ter esse direito… Não serei eu que os irei prender… ao passado… Então, se eu nunca fiz isso!…


Apesar dos monstros do meu passado não reconhecerem quem eu realmente fui… e quem realmente sou… e até onde caminhei… e encaminhei a esperança de uma descendência que acredita e irá sempre acreditar… e ensinar a acreditar em valores… Valores que esses monstros… essas autênticas monstruosidades… não tiveram no passado!…


E vêm agora pretender ter… pleno direito… a… sabe-se lá o quê… e àquilo que um dia… vier a… revelar-se…


Uma Mãe… tem direito a um passado. Mas… tem também o direito a um futuro!…


«A realidade do passado… que nos obriga a lutar!»


Nem sempre conseguimos ver a realidade… E por vezes damos por nós a viver sonhos que não são os nossos!… E é assim que vamos adiando o presente… e o futuro…


Uma Mãe nunca pode dizer que tem uma vida só dela… Nunca pode refazer a vida da forma mais fácil que possa existir… porque a partir do momento em que partilha o seu ser com outro ser… há logo uma ligação que não pode ser… que não é quebrada… muito menos pode aparecer alguém… com falinhas mansas e falsas oferendas… a tentar quebrar o que existe entre uma Mãe… e os seus filhos!…  


Sim, desde que eles percebam… desde que eles vivam essa dedicação… esse amor… e até essa meticulosa forma de ralhar… de dar sermões e impor alguns castigos… nem isso… pode quebrar o nosso dia-a-dia…


Mas… sempre que… aquele seu perverso olfato de monstro lhe dá indicações de dificuldades… de amor… de histórias… esse mesmo passado, sempre camuflado de monstro… invariavelmente reaparece…


E o dia… revela-se. E o presente… revela-se. E o futuro… será a verdade, porque será sempre no nosso colo… e no nosso aconchego de sempre que o futuro acontecerá…


Uma Mãe que viveu um passado tão difícil… nunca irá querer para os seus filhos… uma história dessas… com monstros pelo meio… com direitos da «lei» portuguesa…


Uma Mãe o que quer é ver os seus filhos felizes e serem capazes de voar… se possível para mais longe… e em voos mais altos do que ela própria conseguiu ser capaz…


Há uma altura em que a realidade do passado… nos obriga a lutar pelo ninho… pelas nossas origens… pelo que somos e… fomos sempre adiando ser…


Não vale a pena recusar o destino…


O que temos é de… nos olhar ao espelho… e vermos… e percebermos o que deitámos fora… em troca de um dia ou de vários dias melhores… ou se fomos nós os monstros… esses «seres» cheios de vaidade… achando-nos sempre que estamos acima dos outros… e que sejam então os espelhos que nos digam… que nos transmitam a verdade, tal e qual como a velha história da Branca de Neve!…


Foda-se!… Criei… passado na vida… e peno todos os dias por esse passado… por essa realidade… Mas, sabem? Não preciso, de todo, de ter de voltar a ir olhar-me ao espelho para lhe perguntar seja o que for!… Como Mãe, sinto que fiz tudo o que tinha e o que fui capaz de fazer…


Hoje, é a realidade do passado que o dita… e já não está nas minhas mãos lutar… pela realidade do passado…


Sou… fiel… ao que fui quando os carreguei comigo… para todo o lado… e tive de me apetrechar com tudo… para conseguir superar a mentira do passado…


Hoje, entrego… aos céus… aos mares… ao vento forte… e, se for caso disso… à mais terrível das tempestades… o meu futuro e o futuro dos meus filhos!…


Nada é meu… Que voe livre… que nade sem medo das ondas… que vão contar histórias só ao vento… e que um dia mos tragam… e que em dias de tempestade… regressem felizes ao ninho… que sempre os soube acolher… num presente… mas, sobretudo… num passado… num passado de que se orgulhem… e não num passado que os faça sofrer como eu… sofri!…


Acho… que o meu papel… nesta vida… foi escrito!…  


Da realidade do passado… colho os frutos…


E não quero lutar mais… só porque isso já não depende só de mim!…


 

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