O sabor da vida depende «imenso» de quem a tempera

 


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Encontrei esta frase algures no facebook… Todos teimamos em publicar frases, juntamente com as nossas fotos… Eu, assumo que o faço.
Leio desde criança. As palavras, para mim,… são um jogo de sentimentos – às vezes tão bons… outras vezes tão maus… – e acabamos invariavelmente por encontrar uma frase de um autor para realçar o que num determinado momento sentimos. Esteja ela, ou não, enquadrada com o que sentimos… aquela imagem… cria em nós como que uma… vontade de a descrever.
Irrita-me quando o autor dessa frase não é identificado… mas, isso,… para quem, como eu, escreve… já são favas contadas! – Pouca literacia… para demasiada gente que apenas pretende algum destaque. Eu não tenho qualquer problema em assumir o destaque que desejaria que as minhas publicações tivessem… o destaque de quem está para aqui perdida no tempo… Longe de quem me ama. Longe de quem não faz ideia do meu dia-a-dia… mas que o consegue temperar, sempre, com um travo doce… seja através de uma mensagem de um Amigo ou de uma Amiga… que me foi importante num determinado momento tão valioso… Num momento que eu, aliás, adorava que fosse para toda a vida!
Meu Deus, tenho poucos Amigos. E tenho tantos amigos!
Como é possível que quem não está ao pé de mim a viver o que vivo… me consiga dizer o que sou com tanta exatidão… com a precisão… de um momento, ou de umas horas, ou de uns quantos dias… que passámos juntos… – e isso lhe ter sido tão fácil, tão evidente… comparativamente com quem eu vivo rodeada e que devia saber o que sou e, no entanto,… não me entende!
O meu sabor da vida… está naqueles que me temperam de força… da «força» que eu sou. Mesmo que em poucos momentos ao longo dos meus 44 anos… alguém… algures perdido no facebook… me tenha relembrado… reestabelecido… reconhecido.
É tão bom saber que houve muitos que temperaram a minha vida… me deixaram ser como eu sou… ou, por ventura, se na altura não mo deixaram ser… hoje… já conseguiram entender o que realmente sou.
Não agradeço… a ninguém! A vida demonstrou-me que, dia-a-dia,… eu só devo agradecer a mim… por ter sido sempre eu própria em qualquer situação com que me deparei ao longo da vida. Sim, só tenho de agradecer a mim… por não me ter tornado no que erradamente pensavam… ou na «verdade» que eles pretendiam… Eu, por diversas vezes, aceitei… as ofensas, os «filmes»… as novelas sem qualquer interesse nem enredo… Custou-me muito aceitar… sendo eu aquele vulcão que a maior parte das vezes parece extinto… e… que… sem ninguém contar… acaba por conseguir preencher todos os espaços vazios… como que tentando dizer: a Natureza de que somos feitos… é maior do que qualquer outra coisa na vida! A lava que brotou da explosão que provocaram… jamais voltará atrás!
Agradeço a mim… sempre. Suportei o injusto… o pecador… o falso… o «feio»… o interesseiro… explodi quando devia explodir… mas também… me soube calar… e esperar que a vida me devolvesse, precisamente dessas mesmas pessoas, a compreensão que sempre tive para com elas…
Assumo que sou intensa. E que até perdoo facilmente… mas, quem «me» pisa o risco… mesmo quando lhes digo, os aviso para não o pisarem… ah, aí não olho para trás… E será, sempre, «coisa» irremediavelmente esquecida, sem a mais pequenina ponta de sal ou pimenta que venha tentar temperar o bom que tenho em mim… – e… fora… fora da minha vida, sem arrependimentos…
O sabor da vida depende «imenso» de quem a tempera… mas… houve pessoas que nem sequer quiseram saber dos meus gostos… ou das virtudes culinárias com que eu me pudesse deliciar…
Uns dizem que eu sou cruel…. outros até já me chamaram perigosa… alguns chamaram-me doida… pois, entre todos esses… apenas um ainda não me agradeceu por eu estar ainda na sua vida… E ainda não me transmitiu… a sua vontade de me perdoar… como eu… o perdoo.
O sal de que preciso para todos os dias acordar plena de força… vou buscá-lo ao mar.
A pimenta de que necessito… e que, aliás, adoro… está nesses seres que me confundem com aquilo que eles próprios são… Essa pimenta… dá-me o direito de acordar e constatar que continuo a ser eu mesma.
Não há rojões como os meus… mesmo sem os cominhos… logo, esse tempero… faz a diferença… Os antigos mastigavam os cominhos para facilitar a digestão… pois… se queremos sentir algum sabor na vida… quantas e quantas vezes temos de mastigar… engolir… e… deixar acontecer…
Por último, o mel… há quem com ele nos agarre… e que tudo faz para que o saibamos… O mel é o tempero melhor que a vida nos dá… – e logo com as abelhas em vias de extinção! –… preocupa-me não poder usufruir desse sabor da vida… esse sabor… que elimina toxinas, que purifica e que nos faz esquecer de tantos e tantos outros sabores que nos azedam a vida.
Eu… ainda não temperei a minha vida com os melhores sabores que… mereço.
Podemos pensar… em todos os sabores que sentimos…
O mel… quem nos agarra, quem nos «sabe» agarrar com a doçura do mel… já é… ou não… suficiente?
Hoje não vou responder a isso…
O mel… ainda não chegou a altura de o colher!...


*** Texto Editado por Pi Sousa Pires a quem agradeço tudo o que tem feito por mim. 

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