O Não-Espaço

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****Texto Editado por Pi Sousa Pires


Este tema foi-me sugerido por um amigo… arquiteto. Claro que tinha de ser! O Não-Espaço.
Pois, eu adorei a ideia… porque sempre disse ― tal como em projetos arquitetónicos ― que
existe esse não-espaço… aquele espaço que (parece que) não serve para nada… mas que está
ALI!... Na nossa vida, guardamos constantemente esse não-espaço dentro de nós… seja para
quem já existe e merece estar mesmo nesse lugar ou mesmo para quem tenta entrar na nossa
vida… mas, que… fica, por isto ou por aquilo terá de ficar mesmo nesse não-espaço. Esse
espaço que não sabemos o que fazer dele… ― é um espaço que ocupa… sem ocupar!...
Um espaço que não pretende ser coisa nenhuma… mas, que… está lá, existe!... Mas, para quê?
Atormenta a ideia de deixarmos nesse não-espaço… quem ainda nem sequer sabemos se
vamos guardar… ou, pura e simplesmente, virar-lhe as costas! Há pessoas que não se definem
suficientemente bem… como se fossem um… não-espaço!...
Por vezes, nem sequer sabemos por que carga d’água a vida nos fez encontrá-los, cruzarmo-
nos com eles!... Seja porque eles não nos vieram acrescentar nada de novo… mas também não
é que nos irritem… do género… não nos fazem sentir nem bem nem mal… ― então, para que
existem?
São aquele género de pessoas que aguardam sempre uma reviravolta da vida para que, quem
sabe, um dia, possamos… colocar um vaso com flores nesse não-espaço… mas… quase
invariavelmente, mais cedo ou mais tarde ― a maior parte das vezes mais cedo! ― chegamos
à conclusão, óbvia, que, afinal, não fica bem!...
É como se tentássemos ver o bom em alguém e não o conseguíssemos, de todo, vislumbrar!...
E nem com a ajuda de ditados do género “quem o feio ama, bonito lhe parece!”!... É normal
que não tenhamos detetado defeitos logo numa primeira abordagem… E é por isso, é para
casos como esses que devemos reservar e utilizar sempre um não-espaço no nosso coração,
para nele colocarmos esse tipo de pessoas!... Aquele género de pessoas que quase-quase
parecem que são… que utilizam palavras bonitas… em que tudo à sua volta (parece que) é
bonito… mas que… mais cedo ou mais tarde ― a maior parte das vezes mais cedo ― irão
necessariamente de ser remetidos para e arquivados nesse não-espaço!...
Mas que raio faziam ali… sem se definirem… sem se integrarem no que somos… e… pior ainda!
Enganando… tal como esse não-espaço… que dá a ideia de prometer vir a ser qualquer coisa…
mas que nunca é nada!... É apenas e só um não-espaço que irrita, porque existe… mas que não
serve absolutamente para nada! Engana…
Mas… espera aí!… Se eu colocar um armário com várias gavetas nesse não-espaço… será que
ele poderá vir a preencher, com razão, «outro» espaço? Tal como quando, aqui e ali, vamos
fazendo esta ou aquela pergunta às pessoas… acerca de coisas que nos são importantes… e
vamos ouvindo… e assimilando… como que se fossemos abrindo aquelas gavetas… mas, aos
poucos, vendo bem, vamo-nos apercebendo… que, no fundo, no seu fundo, as gavetas não
guardam nada, absolutamente nada que seja digno de ser guardado!... E, então, exatamente
por isso, o armário, esse armário, nunca virá a servir para preencher o não-espaço! Não
interessa!... Porque se encontra repleto de coisas sem interesse!... Nenhum!...


Para mim, essas pessoas são… muitas vezes, pessoas que nem sequer chegam a entrar na
minha vida. O MEU NÃO-ESPAÇO… já o conheço eu bem!... Quando, de caras, indico, explico,
deixo ver o que realmente sou e como sou… e as pessoas… teimam em continuar a mentir… só
há uma solução: esse não… ESPAÇO! É sempre o que eu peço!...
Por vezes, não há outro remédio que não seja um redondo… «não»!... Porque há pessoas que
atormentam, que insistem em ignorar completamente o que realmente somos… a ponto de
nos quererem tentar enganar com conversa fiada!… Mas não!... Deixem-me respirar!...
Espaço!...
Não usem o não-espaço do vosso coração para guardarem aquilo que sabem de antemão que
nunca vos vai fazer felizes!... Independentemente de acharem que sim… ou de porem a
hipótese de estarem enganados, por vezes ― a maior parte das vezes! ― só atrasamos a
resolução dos problemas com essas pessoas!... Se, por acaso, nesse não-espaço… vier a
acontecer aparecer alguém genuíno… verdadeiro… alguém que não tenha pressa de viver o
que não pode nem deve ser apressado… alguém que respeite quem somos e que seja sincero
naquilo que expôs… a sua verdade… aí sim, a partir daí esse não-espaço deixa de existir,
porque se trata de um quadro perfeito, com uma moldura perfeita… e uma pintura que traduz
bem e na íntegra aquilo que são…
Aí, sim!... Deixa de fazer sentido que essa pessoa continue a ocupar um espaço no não-espaço
na vossa vida… e tudo parece resultar da melhor forma… sem pressas… sem aquele sempre
horrível «ter de ser»… porque, no fundo, no fundo… essa é a pessoa, ou as pessoas, que
sempre esteve ou sempre estiveram dentro desse espaço até essa altura mal definido… mas
vocês sabiam que o tinham de preencher!... E só essas pessoas seriam capazes e seriam
merecedoras de saírem desse… não-espaço!...
Tentem ver, descobrir em vocês próprios esse não-espaço!… E analisem-no!... Analisem-no
bem!... Caso a caso!... Por vezes sentimo-nos infelizes com algumas coisas na vida… Mas,
normalmente, é porque deixámos durante tempo demais… ser esse não-espaço a decidir!...
E… que bom é descobrirmos que, afinal, esta ou aquela pessoa que tínhamos inicialmente
remetido para o nosso não-espaço… poderia… poderá… perfeitamente vir a ocupar… devagar…
sem pressa… passo a passo… firmemente… O NOSSO… ESPAÇO!…


 

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