A FELICIDADE DA TRISTEZA
A FELICIDADE DA TRISTEZA

*Texto editado por PI SOUSA PIRES
O mais importante para mim… é a importância que eu própria dou em ver na felicidade os rasgos de tristeza da vida de alguém…
Por vezes, até dá a ideia que a tristeza nos atrai… Existem tantas pessoas que vivem disso! Há pessoas para quem o sofrimento de outrem encanta… eu sofro mais que tu… tadinha de mim! Quantas e quantas vezes até parece um campeonato para tentar ver quem é o mais sofredor… quem tem o problema maior… o drama mais doloroso…
E é nesta felicidade pela tristeza que o Mundo atual anda a viver! Esta ideia do «coitadinho» é… parece ser qualquer coisa de extremamente importante nos dias que correm. Chega a dar a ideia que as pessoas gostam de viver aprisionadas ao passado, àquele que fez e que aconteceu… ao outro que a deixou… a isto e àquilo…
E… não sossegam… estão sempre a tentar lançar farpas… sempre a viver e a remoer acerca de tudo e de todos! Essa felicidade da tristeza… ― sinceramente… não a consigo entender!
Mas que vida é que podem aproveitar essas pessoas? A cada dia que passa, ao saírem de casa… olhem para o céu… mesmo em dias de chuva… e lembrem-se que estamos ali… que fazemos parte de algo maior do que nós!... Isso sim, isso é uma Felicidade Feliz!
Que vida eu levaria se estivesse constantemente a remoer e a nunca perdoar aos outros! Que felicidade seria a minha se vivesse sempre a remoer na tristeza de algo que já deixou de existir! Já passou… está passado! É passado!... Porque é que terei constantemente de continuar a aborrecer-me com quem me magoou? Já chorei… Está chorado!... Mas… passado algum tempo voltar novamente a esse choro… já chorado? Não!... Decididamente, jamais suportaria viver, de forma alguma, a felicidade da tristeza.
Há quem… revele sinais de perfeita exaustão… por continuar a estar a viver, a reviver… o que já passou! O que passou… está passado! É passado!... Mas há quem não consiga viver sem se… contentar com essa felicidade que assumem ter… sentir… acerca da tristeza que já sentiram…
Há pessoas que adoram ser felizes com a infelicidade pela qual já passaram, com esta ou aquela tormenta passada… como se os outros precisassem de validar o que elas sentem… mas, afinal… o que seria Deus no meio de tudo isto? O que seria o Universo… o que seria da nossa Fé… do nosso acreditar num dia melhor se… vamos somando dias… sempre pensando no passado… martirizando-nos… e sem nunca nos agarrarmos, com força… com garra… ao futuro!...
Quero lá saber de quem me fez maldades… ― e os meus leitores sabem que houve muita gente que me fez mal… tanto e tanto mal… ― mas isso nunca me impediu de seguir… de prosseguir… sendo eu… eu, tal e qual como sou… e não aquela pessoa em que me poderia ter tornado perante todas as maldades que já me infligiram!…
Não. Não sou… não me sinto, de todo, feliz com a tristeza. Sou, sinto-me feliz… muito feliz comigo mesma com tudo aquilo que vejo quando acordo… mesmo que isso signifique que precise de descansar mais umas horas neste Mundo que se tem mostrado mais cruel do que amigo… ou até bem mais amargo do que doce…
Acordo sempre com a certeza de que olho o céu e agradeço!... Que, magicamente… a minha vida se transforma numa qualquer outra coisa… melhor, mais entusiasmante… quando… ao acordar, ao levantar-me ― sempre, sempre de cabeça bem erguida ― deixo para trás todos os eventuais fantasmas… e os reais palermas que passaram na minha vida.
É esse acreditar firmemente que, mais um dia, é, será mais um bocadinho de futuro… mas um futuro mais forte e mais seguro, mesmo ainda não sabendo o que ele trará… mas… sabendo, acreditando, que não será, de certeza, a viver de novo o que já passou…
Existe em mim, sempre, um respeito pelos outros. Até por aqueles que me fizeram mal… Sim, esses que me fizeram mal… é que têm necessariamente de ultrapassar medos ou receios… mas eu não!... Eu não lhes fiz nada. Eles é que têm de se olhar ao espelho e ver o que andam a fazer na vida… São eles, são esses os tais que sentem a felicidade na tristeza dos outros.
Eu, eu não. Eu sinto felicidade quando o outro está bem… porque, afinal… também me faz bem saber do outro. Faz-me bem saber que cresceu… que viveu… que segue tranquilamente a vida… que aproveita bem e de maneira positiva o facto de viver neste universo que também lhe pertence.
Todos nós fazemos parte de um Mundo onde a coragem deve ser considerada no presente… e conseguindo ter a coragem de esquecer o que de alguma forma nos magoou… e nunca viver de novo o que nos torturou… O importante é que consigamos canalizar toda essa energia para um dia melhor… recheado de sentimentos bons… e positivos.
Às vezes falamos de Perdão? NÃO SEI… Eu também sou uma pessoa que não olha para trás quando me magoam… e que se desilude quando dá uma segunda ou até uma terceira oportunidade… com os anos a passarem!… Mas… talvez me faça bem ― ou não me faça pior ― nem sequer dar essa oportunidade a quem eu saiba, de antemão… que nem vale a pena!...
A quem se denuncia… a quem não revela ter sentimentos pelos outros… Do género daquelas pessoas para quem só o que o próprio sente é que tem valor… e que os outros são… apenas e só… os outros!...
É essa felicidade que dá a ideia que eles até gostam de sentir… quando eles vêem que a tristeza do outro é mais evidente… É gente como essa que torna o Mundo nesta coisa estranha… onde existem seres maquiavélicos, narcisistas e possessivos da alma dos outros.
Essa felicidade da tristeza é mais ou menos comum. O que nunca podemos é permitir enganarmo-nos ao cruzarmo-nos com pessoas para quem a felicidade deles se revê na desgraça do outro, no sofrimento do outro… Mas que raio de gente é esta que gosta… que só se sente verdadeiramente feliz ao invadir o espaço do outro… ao ponto de ficar feliz com a infelicidade alheia!...
E ainda existem pessoas que acham que nunca fizeram mal aos outros… e, ainda por cima, assumem uma descarada felicidade por isso… como se as suas mentes estivessem absolutamente tranquilas!… A isso chama-se egoísmo!... A isso chama-se inaptidão!... Total inaptidão para viver em comunidade...
Eu, sinceramente? Estou farta desses Felizes pela Infelicidade… e… construo muros bem altos na minha alma… não para que me impeçam de ver… mas para me distanciar de cada vez mais… subindo e, sobretudo, ultrapassando o muro das lamentações, dos desaires, das mágoas, da crueldade…
Quero ser de cada vez mais eu. Eu, no que diz respeito a um ser… de pleno direito num Mundo com essa capacidade de o ver… e de o querer ser sempre mais e mais feliz!
No entanto, nesta tristeza de ver que, ainda assim, continuo muito longe da felicidade… que mesmo eu… preciso todos os dias… de reclamar para mim… o dia! E nunca para nenhum passado que me possa aprisionar, para sempre, na «Felicidade da tristeza». Isso não!... Isso nunca!...
Porque o Mundo precisa, urgentemente, de dias melhores!…
Acordem vocês também a viver o vosso novo dia… O que passou… já passou… foi. Seguiu. O que interessa voltar? Sim! Se ainda temos tanto e tanto para descobrir em nós?
Revelem o que são… Mesmo que isso vos incomode… A nossa verdade é sempre muitíssimo melhor do que a mentira de ser o que os outros tentaram que fôssemos!...
A nossa verdade é sempre melhor do que trair quem nos sente próximo e precisa de nós… num novo dia… num novo acreditar… é claro que com histórias e vivências passadas… escritas, contadas… mas, nunca, nunca mais tornadas a viver.
Ao falar do meu sofrimento em tantas fases da minha vida… não quer dizer que eu continue a viver… nesse sentimento de mágoa, de infelicidade… Não!... De todo!... Nem pensar!... Eu até sou uma pessoa… que por vezes até brinca com o que vivi… E sabem porquê? Porque detestaria voltar a sentir ódio, mágoa, raiva… quanto mais não seja porque esses sentimentos seriam destrutivos para a pessoa que sou… e de que gosto tanto de ser!...
Sejam a verdade que o vosso próprio ser necessita!… Vivam a Felicidade de terem destronado a tristeza do vosso passado…
Afinal… a cada dia que nasce… há mais um novo dia para se viver!...


Comentários
Enviar um comentário