Perdão

***Texto Editado por Pi Sousa Pires
Um leitor deste blog pediu-me para eu falar acerca do… perdão.
Não será de todo difícil para mim falar acerca do «perdão». Sim… até porque eu nesta vida já perdoei a tantos e tantos… «filhos da puta»!…
Há quem diga… que se perdoa, mas que não se esquece… Pois bem…
Eu cá sou aquela eterna tonta que perdoa… e que esquece!…
Que merda esta… É que é mesmo verdade: eu sei perdoar!…
Mas… desenganem-se… porque jamais serei a tonta que perdoa uma e outra e outra vez!…
Há pessoas que, a partir de uma determinada altura, me desencantam… perdem magia… e que até chegam a adormecer-me com tanta história teimando tentar comover-me!…
É que há… «Pessoas» e «pessoas»… Há gente verdadeiramente digna e gente coitadinha.
Sim, isso mesmo: coitadinha… E é só por isso que perdoo… que vou perdoando… que vou engolindo o que não gosto ou o que não quero… mas pensando sempre que há seres tão… tão… tão mesquinhos… tão imensamente mais coitadinhos do que eu… — esses desgraçados que acham que nos incomodam… ao ofenderem-nos com as suas intrigas e palermices ou mesmo tentando dar a entender que se importam comigo… Ai ai, Jesus!…
Que capacidade tão grande a minha de perdoar!…
Há aqueles que as vão fazendo… e eu vou perdoando… uma e outra vez… e que quase preferem enfiar a cabeça na areia em vez de virem falar comigo olhos nos olhos… e que veem de mansinho… pois, sabendo que sou do Norte… e que a coisa de repente pode ficar feia!!!…
Mas… há quem, embora já se tenha habituado à vida moderna e onde a honra tantas vezes deixou de existir… facilmente consegue agir mantendo a boa educação.
As pessoas muitas vezes confundem «educação» com qualquer coisa como «olha esta… de certeza que já se esqueceu… vou aproveitar para lhe dar mais uma facadinha… vou pedir-lhe mais um favorzinho…». Quando não se tem qualquer pedacinho de honra e nenhuma espécie de respeito pelo próximo geralmente é isto que acontece… e nós, as pessoas educadas e respeitosas… e respeitadoras do nosso lugar e do lugar do outro… assumimos uma postura de normalíssimo distanciamento face à podridão daqueles seres reles que teimam em bicar avidamente em todo o lado à espera de mais um bocadinho de pão que lhes alimente o ego.
E acham que somos parvos… Pois… que pensem isso!… A minha alma distancia-se… continua a ocupar o seu lugar… indiscutivelmente bem mais elevado do que as atitudes baixas daqueles para quem um perdão não serve uma só vez… mas que querem ser a toda a hora e em qualquer circunstância… perdoados!…
Depois… há o perdão… e o perdão!…
Há o perdão que só deve ser concedido uma vez… e, pelo menos para mim, essa vez será aquando da nossa morte… e isso, quanto mais não seja, porque sou uma alma antiga.
E… mesmo assim… julgo que há algumas atitudes de certas pessoas que nem antes de morrer eu irei conseguir perdoar.
Porque não há perdão para quem nos tira, para quem nos vais tentando tirar a vida aos poucos… para quem nos tenta instigar a sermos piores pessoas…
Não há o mais pequeno perdão para quem nos mente e nos prejudica com isso…
Da mesma forma que não pode haver perdão para aquele género de tontos que precisam de nos retirar a força para dessa forma conseguirem sobressair…
Não há perdão para pessoas vazias de emoções e sentimentos…
Não há perdão para os que são ostensivamente fracos de espírito…
Não há perdão para os desígnios suposta ou aparentemente inocentes… mas que revelam a grande maldade entranhada no reles corpinho de uma só pessoa…
Não há perdão para os que tentam mostrar ser o que não são… e nem merecem ser!…
Não há o mais pequeno perdão para os que me tentam diminuir… só porque sim… ou só porque sou assim!…
E… de toda esta vida que por mim já foi passando… há todo um perdão em mim… mas, esse, é meu… só para mim… e, sobretudo,… só a mim diz respeito!…
Consigo perdoar-me o que sou e o que fui!… Porque aos outros… a esses outros… palermas e infestantes do Mundo…
Pouco de mim resta… quando pretendem de mim… o perdão!…
É quase como que me tentassem arrancar um pedaço daquilo que sou.
Não me acho na obrigação de perdoar quem não sente… quem não tem sentimentos… e, até, quem nem sequer sabe muito quem é!…
Perdoo… sim… aquele tipo de pequenas mazelas que em nada se identificam comigo…
Agora… perdoar quem ofende quem eu sou?!…
Nem pensar!… Nem sequer quando vierem humilde e hipocritamente mendigar o meu perdão… nessa tal hora da morte que dizem ser a ideal para perdoar…
Não, desenganem-se… desculpem lá, mas… não tenho feitio para esse tipo de perdão!…


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