Choro por dentro e… não por fora…

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***Texto Editado por Pi  Sousa Pires 


Este título foi-me sugerido pelo meu filho mais novo…


É engraçado como uma criança consegue ter a perceção de que nós, humanos, choramos quando estamos tristes… ou irritados… ou até mesmo… e por que não felizes!…


Mas esta mãe… esgotou as lágrimas. E… o meu filho viu… e sentiu que nunca mais voltei a chorar!


Já desde há um tempo que esgotei as minhas lágrimas. É que… o peso do tempo… foi-me ensinando a engolir… tudo aquilo que, antes, os olhos revelavam… deixavam transparecer…


Esse mar que caía intensamente pela revolta da alma de se ser… esse chorar… profundo e livre de alguém que estava a sentir!


Mas um dia deixei de chorar… Deixei de chorar o que devia e até o que não devia…


E a partir desse dia deixei de manchar o meu sorriso… também ele apagado… — e passou a ser esse o meu novo sorriso!…


O sorriso revela o que a alma… o que a alma sente!… O que a alma sofre!…


Como se fosse alguém que não reconhecesse o sentir.


E apreendi que navegar seria o meu destino, caso não conseguisse esvaziar a água que teima em naufragar o meu barco!…


E perguntei a mim mesma que tipo de navegar seria esse se os meus próprios remos não conseguissem levar-me na direção certa?


Oh… mas os meus remos sabem tão bem para que direção me devem levar!…


Só que… Se não fossem aquelas constantes e estranhas algas que teimam em se enlaçar nos remos e os impedem de ir conquistando… metro a metro… o destino… eu… estaria bem… e defender-me-ia, chorando, a pouco e pouco, sempre que fosse necessário…sempre que isso me fizesse bem… como as almas normais!…


São seres incríveis, esses, as algas. Que parece não saberem respeitar esse mar… tranquilo…


Oh… que âncora gostaria eu de ter… para nela me poder agarrar e para que a minha alma não chorasse!…


Que âncora fantástica ela seria se me conseguisse devolver esse espírito de saber chorar… de precisar de chorar de alegria… ou de tristeza… mas, principalmente, de emoção!…


Se essa âncora se fizesse sentir em mim… lavando-me a cara… e sobretudo devolvendo-me a esperança no dia que há de vir… esse desabafo tão bonito e tão nobre de quem chora um dia… e que sabe que no dia seguinte vai voltar a poder sorrir!…


Já não consigo chorar por fora… Hoje dói-me apenas a alma por já não conseguir proporcionar este meu ser… de ser… de sentir e de ter!…


Olho à minha volta e… os sorrisos que vejo são tão… tão… inúteis e falsamente bem-dispostos!


São o que nada são. Pelo menos para mim… porque não o são para mim!…


Só existe magia quando somos capazes de chorar… e de saber ver essa magia de nos reencontrarmos, de nos cedermos à vida!…


Mas… só que… essa magia já não a consigo encontrar…


Já não sei… já não consigo chorar por fora!…


O Mundo tornou-se para mim… um lugar tão infeliz!…


Não pelo Mundo em si… mas pelas inúmeras bestas… por todas aquelas «algas» nefastas que o povoam e o impedem de seguir!


E é assim que… o meu filho, hoje… só por hoje me vê a chorar por fora… E penso: que raio de Mundo onde o irei deixar…


E que maldade!…


E que injustiça!…


E que enorme cambada de inúteis!…

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