Não perceberam o que sou...

Não perceberam o que eu sou. Nem eu tenho tempo para vos explicar. Nem eu, por muito que vos doa, me parece que tenha de explicar seja o que for.
A vida não é igual para todos nós. Todos nós, mesmo que não aceitemos a realidade, sabemos por que temos de estar aqui nesta vida e sabemos por que precisamos de passar por tudo o que passamos. O facto de não aceitarmos o que nos é destinado, deixa-nos um pouco à deriva e sempre a perguntar-nos o porquê de tudo o que nos acontece. Mas, se procurarmos bem fundo na nossa essência, conseguiremos encontrar as respostas para as perguntas que, quando em desespero, fizemos.
Não perceberam o que sou...
Não procuraram saber quem eu sou...
Não quiseram saber o porquê das palavras... nem mesmo dos silêncios...
Não perceberam que o mal não estava em mim... mas no mal de uma vida que levo, com enorme coragem e sem asas que me abriguem. Sem essa compreensão de tudo... absolutamente de tudo o que tive de engolir e de refazer vezes e vezes sem conta.
Não perceberam quem eu sou... nem no passado... nem neste presente, que se diz ser tão frio como o passado já foi.
A minha vida encontra-se muito, mas mesmo muito, para além do que as vossas considerações pretendem concluir acerca dela – da minha vida. As vossas conclusões são tão banais como todos aqueles seres mesquinhos e hediondos que fui encontrando, passo a passo, no meu caminho até chegar aqui.
Nesse caminho presumi sempre que tinha encontrado alguns portos de abrigo... mas, não passaram de simples portos. Portos onde carregamos e descarregamos as nossas "cenas"... mas onde nunca nos sentimos em "casa"... no nosso lar... onde nos podem perceber... aceitar e sem filmes e discursos... onde vivem a doce alegria de nos ter por perto... sem merdas que nos afastem!
Não perceberam quem sou... nem o que fui, nem o porquê de tanta e tanta coisa!
A ninharia da minha vida é encontrar a paz nas coisas mais simples, mais dóceis e, sobretudo, mais verdadeiras. Essa é a minha insignificância maior – e que faz com que eu não encontre o que teimam em me tentar dar!
Não perceberam o que sou...
Porque não me amam.
Porque não me valorizam. Porque o valor que me dão... é só um mero esforço para tentarem que eu seja diferente, que faça de forma diferente... Mas, para o «vosso» próprio deleite... a minha vida seria gerida e organizada em função do que precisam que eu seja para vocês. E nunca pensaram em mim. Nunca pensaram no meu «eu»... nas decisões difíceis que tenho tido que tomar na vida... nos inúmeros sacrifícios que tenho tido que fazer para transmitir alguns valores que já nem sequer existem! Nunca pensaram sequer que eu possa ter uma história para além daquela que vocês pensam que eu tenho.
Não sabem nada de mim.
Não perceberam o que sou ou quem eu sou...
Ou o que a vida me fez perder ou ganhar...
Surgiram-me alguns «portos» na minha vida... mas eu é que consegui encontrar «o meu» próprio abrigo.
Eu é que tenho de me deleitar com a vida que me prende dia-a-dia a um grande sonho meu.
Não perceberam o que sou...
Façam um favor a vocês próprios: aceitem que não estarei na vossa vida... e que qualquer história com que eventualmente nos cruzemos... eu apagá-la-ei, literalmente, do ser que sou.
Tudo isto... porque sou muito mais e também muito menos do que imaginam acerca de mim. Mas, também eu tenho o direito de fazer o que me fazem... querer que sejam o que eu me deliciaria que fossem...
A vida é curta para todos...
Tenho o direito de viver com quem... percebe o que sou e que me aceita tal e qual como sou.
E serei feliz assim...
*Texto editado por Pi Sousa Pires ao qual agradeço todo o apoio que me tem dado!


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