Escrever... porquê?

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Já revelei um dia... o porquê de eu escrever...


https://minhavidaanu.blogs.sapo.pt/aquelas-pessoas-que-mudam-a-nossa-566?tc=14780097565


Existiram pessoas importantes na minha vida que me "obrigaram" a ter este bichinho de escrever! 


Mas, hoje, não vos vou massacrar com as minhas palavras... mas sim! Dizer... Escrever porquê! 


Eu felizmente tenho um pai que gosta de ler... que cuidou sempre para que eu pudesse ler aquilo que me ajudasse a ser alguém! Tinha uma biblioteca em casa que era um erro meu se não pegasse em cada livro e não o lê-se! O meu pai muitas vezes me dizia que não podemos ler tão rápido um livro... Mas eu devoráva-os! É certo! Porque... de tanto me dizerem... de tanto me fazerem aprender... não era capaz de os fechar sem acabar! 


Quando li Fernando Pessoa... todos os seus heterónimos... revi os meus sentimentos... por míseros que fossem, eu... sentia... eu precisava de escrever... mesmo que sem acordos, regras! Naquela hora... eu tinha e devia pegar na caneta e imortalizar numa folha o que me apetecesse! Não era compreendida... não fazia mossa... ninguém iria ler! Este poema de Alberto Caeiro... vos dedico! 


" Se eu morrer novo,
Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.
Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.
Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.
Não desejei senão estar ao sol ou à chuva
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído
Alberto Caeiro


Este poema... Tanta verdade em mim! 


Agradeço a quem me irá ler, ajudar...


Mesmo que eu morra cedo...dar-me-á o direito de não ter qualquer explicação.. mas, dar- me- à todo o direito de estar distraída... num mundo que amei... mas, não me senti querida!


Obrigada... 


Hoje é um dia especial... 


 

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