"Tenho saudades de ser ninguém..."

 


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"Antigamente o mato, tão vazio de gente, me fazia medo. Pensava, só podia viver nas pessoas, vizinho de gente. Agora, penso o contrário. Já quero voltar no lugar dos bichos. Tenho saudades de ser ninguém."
Mia Couto


Confesso-me... o dito "mato" que Mia Couto se refere... foi sempre para mim uma casa... um lar... onde tudo o que me envolvia era maior... Maior do que eu!!! Eu... ouvia... sem necessidade de falar. Eu...via... sem necessidade de me mostrar. Eu... cheirava... sem necessidade de me perfumar. Eu... saboreava... sem necessidade de aprovar. Eu... sentia... sem necessidade de me tocarem, sentirem... O "dito mato" era vazio de gente com sentidos! 


Durante toda a vida... quanto mais procurei os sentidos... mais me arrependi. Não pela forma como os sentimos... mas, pela forma que nos provoca... nos afasta de ser. 


Podemos sentir... mas, se quem nos sente... não nos sente maior... maior que tudo! É porque perdemos a capacidade de sentir com todos os sentidos! 


Tenho saudades de ser ninguém... num Mundo maior do que eu... onde tudo que me envolve se apodera de mim... e me faz parte integrante....neste misto de sentidos. 


Fui ninguém... há pouco tempo. Todos os meus sentidos... se revelaram...


Não interessa em que "mato" estamos... vazio ou não de tudo o que nos completa...


Interessa... eu ser... ninguém... sem necessidade de falar, sem necessidade de me mostrar, sem necessidade de me perfumar, sem necessidade de me aprovar... sem necessidade de me tocar... Porque esse ninguém... já é tudo... completou-se... num "mato" vazio de gente. 


Tenho saudades de ser ninguém... olhar em silêncio... e saber que vou ter saudades... não do que se pode ver.. que pode até ser apenas um mero sinal de stop... mas, da companhia de mim... que me devolveu todos os sentidos que havia perdido no tempo. De saber, que não sou ninguém... e sou tudo...porque tudo me completou... e me fez... voltar a casa... ao lar... que me abriga... 


me faz... ninguém... num Mundo que teima a obrigar-me a ser ALGUÉM. 


Ser ninguém... devolveu-me todos os sentidos... não importa a história... não importa a vida... gosto de ser ninguém...só porque me devolvi a mim... só porque a minha alma... já não mais caminha só... e... ser ninguém... para mim... era o presente que a vida me poderia dar... para viver... com todos os sentidos... olhando o nada... e sentir-me mais do que completa... Sentir-me...só isso. 


Com todo o amor que a vida merece...com todos os sentidos. 


Não quero ser alguém... para o sonho... regressar... e, eu... vaguear sobre um nada que me significa tudo! 



 


 

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