Mãe... em dia do pai...

A vida dá-nos as mensagens que não queremos receber. Eu..sempre fui bastante independente. Fazia o que queria... os meus pais... aceitavam... porque confiaram sempre em mim. Eu decidia para onde ía... e, quantas vezes nem sequer dizia... mas, sabia que os meus pais... confiavam, compreendiam e, na maior parte das vezes até incentivavam...
Eu não me via como uma mulher casada... via-me como uma mulher que ía para todo o lado onde precisassem de uma voz ativa pela natureza... pela humanidade. Tinha a vontade de ajudar o Mundo... se conseguisse.. que...alguém na praia pensasse duas vezes quando enterrasse o lixo... para mim... era ponto assente que... as minhas palavras poderiam a pouco e pouco mudar mentalidades... e, criar com todos os que abraçavam comigo estas ideias.. um Mundo ao qual poderiamos deixar às gerações vindouras.
Com a morte da minha avó... desisti de ser socorrista. Tentei salvá-la... e, não fui capaz. Todos os meus esforços para entrar na Cruz Vermelha foram... apagados. Se não consegui salvar a minha avó... como poderia salvar o Mundo?
Entrei num desespero enorme. O simples adormecer era... um castigo que me davam... porque sentia sempre aquele olhar... aquele coraçãozinho a parar... e, eu... e o meu pai... a lutar pela sua vida.... Dormir... era desesperante... pois, sabia... o que a minha avó me disse com o olhar!!! Ela... sabia... antes, tinha degustado uns morangos...nesse momento percebemos... eu e o meu avô... percebemos... "faltam as natas batidas... mas, serve..."
O meu avô aceitou... quando me pediu que parasse... quando disse... que eu precisava de aceitar... quando todos me queriam dar calmantes...e, ele próprio disse que tomava comigo... pois sabia a minha dor.
O tempo foi passando... e, eu encontrei alguém que me dava paz. Que me lembrava de mim.. e lutava por mim. Me fazia esquecer do mundo que desabou em mim... Que me deu amor exagerado... que me colocava num pedestral... que, apesar das dificuldades que a vida me impôs... acreditava na Cláudia. Ajudou-me a enfrentar fantasmas... a acreditar em Amor.
Amor que achava que jamais poderia existir. Fui dar uma conferência numa escola em Vila Real... sobre Floresta... em nome do Planeta Verde.. uma associação com raíz na Liga para a Proteção da Natureza. Os miudos gostaram... quiseram falar comigo... "idolatraram-me".... nesse momento, percebi.
Escolho quem me fez lembrar o que sou... ou quem me o faz ser?
Debilitada... Carente... Percebi que alguém estava ainda mais carente do que eu. E necessitava mais da minha rebeldia do meu querer é poder!!!! Acho que ainda hoje... ele tem um fascínio pelo que desconhece... perante aquilo que sabe que pode encontrar de si próprio.
Na vida... nunca ninguém se conhece. E, eu... assumo... tenho as minhas manias... mas, os meus valores!!! Ninguém lhes mexa!
Eu... fui tão ingénua!! Afinal... bastava ser menos que... e ser... fotocópia de quem tem a maldade concentrada... e, consegue mimar... só para que gostem dela...
Ora... eu, não mimo ninguém para que gostem de mim! Ou gostam ou não gostam! Não mudo de personalidade só para que me seja dedicado um pedestral...
Tenho sangue nas veias e, é azul!!!
Pois... não posso dizer que encontrei o meu príncipe encantado... quem o encontrou foi uma enfermeira brasileira..
Sempre pensei que um casal pudesse dividir as noites de mau dormir... pois bem... sou sincera, tive filhos que eram matemáticamente certos com o relógio...
Eu... nem sempre estava no meu melhor... mas, quando via o pai a desfalecer constantemente quando se tinha de levantar porque os meninos choravam... claro que... ignorei que ele existia... deixa-o resssonar! O ter os meninos no colo para mamar... dar biberon... de facto era um previlégio meu.
E... eu... apesar de cansada... nunca quis abdicar disso.
Nunca quis abdicar de ter um dia da semana para fazer exercício, do fim de semana para ir anda de bicicleta... para estar com quem me negava a responsabilidade perante duas crianças.
Falam de amor... que o amor acaba... e todos têm o direito de seguir a sua vida... etc... etc...
Mas, eu posso falar. Esta ideia de ter um blog... não é só minha... há quem tenha escrito injustiças... e histórias de merda... apenas porque... a sua mulher... tinha três empregos e um mestrado a decorrer... e, um filho na altura... que não gostou de ser separado da mãe.
Alguém que... queria viver a liberdade e não ter uma chata quando chegava a casa... mas, chata e com jantar feito... menino cuidado... e, trabalhar até às 3 da manhã a preparar aulas.
Pois... o meu mal... foi... não aceitar o meu papel de pai e mãe... achar que os meninos precisavam de um pai...e, que a mãe precisava de um marido... tal qual ele se impôs querer ter sido. Queria que eu sorrisse... o tratasse como o maioral do bairro!! Porra... cansadíssima e ainda ter de corrigir, preparar... pensar!!!!!!!!!!!!!
Um pai... que saia cedo... raramente jantava connosco... e, se eu esperasse por ele.. dizia... "Só não comeste porque não quiseste"...
Hoje pergunto...
Ser Pai.. é perguntar todos os dias a mesma coisa aos filhos?
É apontar na agenda, com lembrete, dos testes... dos jogos...
É exigir o tempo que lhe é de lei obrigatório... para nem saber... quem os filhos são?
Dia do pai... e hoje... tive a mais pura certeza de que abracei durante 10 anos esta sensação de ter de ser pai e mãe...
Meus filhos...querem ver todos felizes... acomodam-secom o que não gostam mas, sabem que, com isso... alguém fica feliz... e, assim... poderão também eles ser felizes.
Não abdico de ser quem sou. Presa a uma terra que... fui obrigada a estar...ainda assim... ajudar os meus meninos a terem um coração generoso.. a evitarem saber que a mãe... tinha tudo o que quisesse longe daqui...porque sabem... que a mãe... terá tudo o que precisa para eles aqui... sem padrinhos... sem mãezinhas... ou maninhas...
Quando o dia do pai... é dia da mãe... sabemos que... o nosso exemplo... os fará bons pais.
E digo isto porquê?
Porque, chegaram tarde... do dia do pai... sabendo que a Mãe estará ocupada com trabalho... Nem foi preciso dizer nada...
Organizaram o dia de amanhã... higiene... pijama... e, partilharam... tudo o que.. nem esperamos que, um filho, um dia
nos diga em pleno dia do pai..
Sei agora... que valeu a pena... acreditar em alguém... amar alguém.. mesmo que não nos fosse suposto o fazermos... Os defeitos são coisas boas afinal... Há quem os veja... Há quem os aceite... e, faça por isso o melhor que sabe...
Eu... sei que há pais pouco presentes na vida dos filhos... por questões profissionais...mas... não é o tempo... não é a preocupação... não é cumprir tudo o que é suposto... ou em algunbs casos.... nem cumprir...
Ser Pai... é... encontrar quem nos respeita perante o que queremos na vida... Aconselhar... mas, orgulhar-se de ver... de sentir... que... os filhos muitas vezes nos ensinam mais... do que aquilo que queremos ensinar...
Há pais... que sabem a alegria que podem dar aos filhos... porque encontraram... dentro da sua vida complicada... um segundo... um momento em que ambos se manifestam... se adoram... se perduram....
Aí... está... eu ADORO um papá... que até... se pode orgulhar do orgulho que os meus filhos sentem por ele...
Nesta vida... o importante não é ter uma família modelo... com tantos podres associados! Nesta vida... é importante amarmos quem acredita em nós... quem sabe... quem somos... quem não necessita de relatórios...
Nesta vida necessitamos apenas e, unicamente.... de quem...nos conheça sem perguntar o que somos... de quem... mesmo que não esteja... sabemos que esteve.. lá! De quem... sentimos vontade de estar...mesmo que sem obrigação... se, esta não existisse...
A mãe e as suas escolhas... teriam mais dias... do que aqueles obrigatórios... por uma lei.. que não avalia... a verdade...
Ser mãe em dia do pai.... é... acreditar que um dia... também eles terão a coragem de dizer o que sentem...até lá... vou cumprir... e esperar..que um dia... alguém saiba confiar... tal como o fizeram comigo...
Tenho a certeza de que hoje... um pai algures...dá valor a esta mãe... que cansada... compreeendeu fragilidades... aceitou... inverdades.. e o só sei que nada sei... de um pai.


Mãe todos os dias.... com garra e determinação que se sente só com palavras...
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