No topo… a paisagem que promete.

No topo… a paisagem que promete.
Aqui, onde o silêncio se mistura com o vento, começa a dança lenta das horas.
Cada passo em frente revela novas texturas de luz, contornos de sonho desenhados pelo sol poente.
Como se a minha alma se expandisse com a vastidão do horizonte, absorvendo a promessa de tudo o que ainda está por vir. Na quietude do alto, as pequenas inquietações do quotidiano dissipam-se, dando lugar a uma
clareza rara. E, no coração da paisagem, cresce o desejo de permanecer… de ser, simplesmente, parte desse instante suspenso onde o mundo parece recomeçar. E, eu preciso uma vez mais de recomeçar!!!
Mas, é difícil… no topo… a paisagem promete…ao mesmo tempo assusta.
Parece o inferno… o fim. Este desmazelo do Mundo… deixa-me apenas só. Sem ninguém que me diga que a paisagem promete… como tantas vezes o disse. Esta paisagem… é o vazio… que engana… já perdi tudo… até a
esperança.
Sinto, neste exato momento, o peso esmagador das deceções humanas. Como se cada ausência, cada gesto vazio, deixasse marcas invisíveis neste horizonte já tão erodido. O ser humano, outrora promessa de companhia e de abrigo, parece hoje tão distante, mergulhado no seu próprio ruído, incapaz de escutar
a dor alheia.
A tristeza instala-se como névoa entre as serras, tornando opacos até os sonhos mais antigos. Pergunto-me, em silêncio, se ainda resta algum lugar onde a bondade floresça sem se perder.
O meu olhar vagueia pelo infinito, à procura de um sinal, qualquer desafio… qualquer vestígio de esperança, um eco de humanidade que devolva sentido ao meu caminho.
É tão difícil não sucumbir ao desencanto.
O mundo, tão cheio de promessas, agora ecoa vazio. O meu maior desafio é continuar a acreditar que, mesmo quando tudo se esvai, a beleza pode voltar a nascer do pó da desilusão. Talvez, um dia, a paisagem volte a prometer, não só pelo que mostra, mas pelo que reacende cá dentro. Esta minha vontade de
acreditar que ainda há mundo nas pessoas!! Onde é que elas estão?????
No topo onde me encontro… ainda há paisagem que promete. Ainda há mar para navegar e gente para gostar… mas, como acreditar em tudo isso!!!
Depois… de tanta desilusão?
Às vezes, tudo o que vejo à minha volta parece um cenário cuidadosamente montado, uma ilusão coletiva onde cada gesto, cada palavra, esconde mais do que revela. Sinto que o mundo é uma mentira exagerada, uma eterna sucessão de fachadas e promessas vãs, onde a verdade se perde entre máscaras e silêncios. Este sentimento vai destruindo…. devagar, devagarinho a pessoa que sou… como se cada esperança acesa fosse, afinal, só mais uma miragem destinada a desaparecer ao toque dos dedos. E, eu sabendo… sempre que isso acontece… vou aguentando. Vou aceitando… Deus sabe até quando!!
Viver neste palco de ilusões é caminhar com cuidado sobre um chão de vidro, receando a cada passo o som do quebrar, do partir…é o abismo do desencanto.
É exaustivo tentar distinguir entre o que é autêntico e o que é apenas reflexo do medo ou da solidão de cada um. No entanto, mesmo na incerteza, há uma sede de verdade que me empurra para a frente, uma necessidade teimosa de
acreditar que, debaixo das mentiras, ainda existe alguma beleza real, genuína…
Um gesto, um olhar, uma palavra sincera que, por instantes, restaure a confiança nas coisas simples…. tão necessitada da credibilidade de SER!!!
É este fio ténue de esperança, quase invisível, que não me deixa abandonar… e, tal como tantos outros recorrer… ao cinismo total. Para mim… o mundo pode ser mesmo… feito de mentiras, mas é a busca pela verdade… que me
impele… me conquista e me sustenta! É essa procura… desse horizonte feliz… que me mantém firme no Mundo.
Não vou mentir… Preciso de pequenos milagres de autenticidade… esses, dão sentido à minha travessia. E assim permaneço, atenta, à espera de um sinal, de alguém ou de algum instante que prove que, mesmo num mundo de
enganos, ainda há lugar para o real… para o verdadeiro. Para o forte e seguro do que a vida pode oferecer… o SER. FAZER. CONQUISTAR… Verdade e valor. Honra por se ser quem se é. Sem filtros e gente a apagar… o que de
melhor ao Mundo podemos dar.
Apesar de todas as sombras e incertezas, mantenho o olhar voltado para o que pode renascer.
O meu horizonte, ainda que marcado pela dor e pela dúvida, recusa-se a fechar-se ao que há de bom.
Ainda acredito!!! Por mais ténue que seja o brilho…. acredito que há gente de bem, gente de coragem e autêntica. Capaz de terem gestos que transformam… o Mundo… e nós.
Esta esperança obstinada que resgata- me do cinismo que esta sociedade teima em me impor… Sigo em frente, abrindo espaço para o milagre diário de encontrar verdade nas pessoas e no mundo. Porque o meu horizonte, apesar de tudo, ainda aceita a esperança…
A paisagem ainda promete o que eu acredito que o Mundo pode dar.
E no topo, a paisagem é promessa e abrigo, nunca estarei sozinha.
Neste horizonte, descubro que cada busca solitária atrai outras almas inquietas, também elas sedentas do mesmo clarão de autenticidade.
O caminho, por mais sinuoso e trágico vai traçando pontes invisíveis entre corações que recusam ceder ao desencanto.
Não estou sozinha. Nunca estarei… neste topo… alcanço GENTE… que vê.
O que os parvos, maus…sedentos de poder se recusam a ver…
Ainda há verdade no Mundo. E, eu, estou certa de que a encontrei.


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