O direito que eu tenho de abandonar quem me abandonou!

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***Texto editado por PI SOUSA PIRES


O direito que eu tenho de abandonar quem me abandonou!


A vida surpreende-nos. Por vezes, as pessoas — algumas pessoas — deixam e desdeixam de ser e de estar como as conhecíamos. Surpreendem-nos pela negativa e… quando menos esperamos.
Sabem? Vim parar a uma terra que a uma dada altura precisou de mim… A uma terra que eu não escolhi… — e onde tentaram escolher, por mim, o meu futuro. E, pela família, abandonei o meu sonho de dar aulas e de estar numa terra onde os amigos eram mais que verdadeiros!… Eram sinceros, eram honestos… daqueles que me vão ligando a saber de mim… e, curiosamente, tentam que eu volte a sonhar!… E me pedem que eu não deixe de ser quem sou… e que nunca, nunca desista dos meus sonhos…
Infelizmente, nesta terra onde… ainda me encontro, fui vendo todos os meus sonhos irem sendo apagados um a um… sem dó nem piedade. E eu, de sonho em sonho… resisti, fui resistindo… a uma possível queda… e fui superando o que quase parecia não ser possível vir a conseguir superar.
Em primeiro lugar, foi a família. E conheci a verdadeira faceta psicopata de quem jurou ser uma pessoa compreensiva, amiga, companheira… pois, só que, hoje, dessa pessoa conheço apenas a mesquinhez, a tortura e a… pseudograndeza de se ser doutor e de se achar no direito de tratar os outros como se fossem… seus inferiores… e chegando ao ponto de constantemente tentar moldar o pensamento de crianças… — foi, de longe, o pior susto que apanhei… porque poderia ter sido ainda pior do que foi. Poderia ter perdido o meu Manel!… E isso jamais perdoarei a ninguém da família que me abandonou.
Em segundo lugar, foi o emprego. O acordo tinha sido eu trabalhar a meio tempo para me possibilitar fazer o meu mestrado — um trabalho que daria uma mais-valia para a investigação em patologia florestal e em certificação. Pois, eu era boa nisso… e por isso, a empresa aproveitou e abusou daquilo que eu sabia fazer e, a pagar-me uma ninharia, fez-me realizar de uma ponta à outra todas as certificações a que se candidatou. Trabalhava de sol a sol… e, à noite… escrevia para o meu trabalho de mestrado… E não parava… e não tinha descanso!…
Fui para uma escola da terra… fazer o que sabia e… bem feito! Julgo que a escola acordou comigo. Ainda hoje espero esse reconhecimento… não fosse o ódio que as pessoas me ofereceram em troca… por ser boa no que fazia! Tantos projetos que iniciei… e que hoje existem. Podiam ser melhores? Sim. Talvez!… Mas, nesta terra dá ideia que as pessoas são avessas à mudança, à melhoria… e preferem garantir o seu lugarzinho… em vez de tentarem conquistar mais e melhor… nomeadamente no comportamento para com os alunos que ficam cá a viver… Enfim!… É uma enorme quantidade de sonhos destruídos!… E, ninguém quer a minha estratégia para nada… porque são todos muito melhores do que eu!… Então que o sejam!… Desafio-vos!…
Em terceiro lugar, foi a política. Pensei que poderia ajudar, pois… o meu conhecimento em gestão de pessoas e equipas, em gestão de empresas… poderia levar esta terra a deixar de ser ninguém!… Uns tentam projetos megalómanos, outros vão fazendo… sabe-se lá o quê e para quê… quando o que teriam de fazer… era dar, era fazer sentir às pessoas o firme sentimento de que esta é a sua terra… mas, aqui… só se fala mal de tudo e de todos.
E, depois… como se tudo isso já não bastasse, vivi um inferno com uma pessoa… que pensava que ao falar mal de mim… iria conseguir chegar longe!… Uma pessoa que não pode ser normal… Porque é capaz de engendrar os piores esquemas para ofender e denegrir a imagem de qualquer um que se lhe atravesse à frente!…
E foram momentos muito difíceis com que tive de lidar… E pensei que na política poderíamos vir a dar um contributo positivo à terra. Mas não!… Aqui… só interessa pertencer a famílias importantes e ter lugares destinados… e, que se tenha línguas suficientemente afiadas… para a maldade!…
Por isso, decidi: a partir de hoje abandono tudo. Tal como me abandonaram sem qualquer reconhecimento… Eu fiz tudo isso por mim… e, hoje, sei que o tenho. No meu trabalho… na terra… sei que muitas pessoas são, de facto, minhas amigas. E, a essas, não abandono.
Sabem que quinze anos nesta terra… me fizeram mais dura… Mas também mais só!… E eu quero estar só!… Pormenores? Quem sabe!… Talvez um dia… escreva o livro desses quinze anos…
(estou morta para que venha a ser lançado — e, quem me prejudicou, irá sentir na pele o que deve sentir hoje… mas, tenho a certeza absoluta, continuará a não se sentir envergonhado!…)
Nunca pensei que… algumas… pessoas… pudessem chegar a um ponto em que me fariam fazer lembrar o passado. Tudo o que fiz e a forma em como o fiz… à minha maneira!
Sou uma mulher de convicções, de valores… e uma daquelas que não se deixa ceder a míseras intenções!… Eu mereço mais!… Muito mais.
Eu sei… eu sei que a vida me pregou muitas surpresas… Mas, pior que tudo… foram as surpresas das pessoas! Nunca, nunca na vida cedi a quaisquer caprichos dos outros ou à mais pequena falta de valores… de quem nem sequer merecia a minha atenção!
Agora… querem a minha atenção, o meu cuidado, a minha inteligência… a minha companhia? Que todos esses se fodam!… Eu, não vos quero, eu jamais vos quererei na minha companhia!…
Estive tão só tanto tempo que aprendi a gostar mais das minhas coisas e dos meus pormenores… E a já não querer perder mais tempo… nem a ter mais paciência para as coisas e os mesquinhos pormenores dos outros… quando esses são contra aquilo que eu sinto.
Por tudo isto… precisei de parar e… pensar!… Senti que tinha de deixar de escrever para perceber… para ter a certeza de que os meus valores não eram os errados… e que os outros é que teimavam em ter atitudes que nada os dignificavam.
Posso ser impulsiva… mas nunca deixo de ponderar muito bem os passos que dou… Certas decisões fazem-me mudar… ou melhor… permitem-me que eu mude!
Este coração já está duro… já se transformou num coração de pedra para pessoas que não possuem qualquer tipo de significado para mim. Nem quero saber!… Ainda bem por isso!
Posso perfeitamente dar atenção a quem sempre respeitou o meu espaço… a minha emoção… a minha rebeldia… a minha vontade de tornar o impossível… possível! Mas… tudo tem limites!… Esbarrei com uma série de pessoas que insistem em não querer ver a minha verdade… Trata-se de pessoas iludidas… a acharem que podem… que têm o direito de invadir o meu mundo… Mas, no fundo, não passam de pessoas… muito pouco certas daquilo que a vida lhes possa… eventualmente oferecer.
E é só mais beleza… mais «fachada»… mais poder… — mas que sociedade é esta?!…
É todo um mar de pessoas a mendigarem atenção… companhia… a mendigarem o que não conseguem fazer… para depois nos descartarem… e a acharem que são os maiores do mundo… e sem terem o mais pequeno respeito por nada… nem ninguém!…
Que fácil vai ser para mim tirar-vos… afastar-vos da minha vida!
Que desperdício eu ter dedicado toda a minha energia a quem não me viria a valorizar… e não nada respeitou daquilo que eu verdadeiramente sou!…
Tanta gente que já eu deveria ter abandonado!… Metam bem a mão na consciência!!!… Se não aguentam comigo, ao menos parem de tentar!… Eu não perco nada se nem sequer tentarem… Eu vivo muito bem com o que faço e com o que sei fazer… O que eu menos preciso é de escadas que pretendem que eu suba… para depois me mandarem de lá abaixo!!! E para depois virem a ocupar o meu lugar… sem a mais pequena sombra de arrependimento… mas… jamais conseguirão ser como EU.
Pois é… que chatice eu abandonar-vos sem dó nem piedade! O que menos me preocupa é ir seguir a minha vida sem vocês… É que nem sequer saudades terei…
Estou farta de gentinha que nem sequer sabe viver a sua própria vida… e que tinha de contar comigo para a viver!…
Quando precisei… ninguém viveu comigo. Ninguém se preocupou comigo… fui sempre eu a seguir em frente e a reclamar aquilo que, de direito, é meu… O meu trabalho, a minha vida pessoal… sempre eu e só eu, que tive a capacidade de me renovar… de me exceder nas concretizações!… Até em coisas que nem sabia fazer…
Sempre eu a suportar… tudo! Incluindo a vossa maldade!… E a vossa pouca amizade que, de repente, passou a ser importante… e não o é. Eu vivi sempre sem ela.
O que eu tenho, sim, é o direito de abandonar… quem me abandonou!…
O direito de escolher a minha companhia… o direito de escolher com quem trabalho…
O direito de ser aquilo que nunca me deixaram ser…
O tal passado no qual eu tive de pensar… diz-me… que muitas vezes fiz pelos outros mais do que fazia por mim própria.
Vocês não me merecem… Eu mereço… Eu preciso mais de mim… vocês precisam do que eu vos poderia dar… Eu… preciso de mim.
E essa… se a quisessem ter tido… não me tinham abandonado.
Tenho o direito de abandonar quem me abandonou!


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Adoro a parte de ter o direito de abandonar quem me abandonou. Eu sei melhor que ninguém o que isso é. Mas temos que ser mais do que essa gente, sim gentalha, melhor nome não me ocorre.

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