A companhia perfeita

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***Texto Editado por Pi Sousa Pires


Andamos muitas vezes às voltas e reviravoltas… sem querermos estar aqui, ou ali… ou mesmo com esta ou com aquela pessoa. Andamos às voltas sempre a tentar a companhia perfeita.


Pois… muitas vezes julgamos que aqueles que têm os mesmos gostos que nós… podem ser, podem vir a ser a nossa companhia perfeita. Podemos sempre ter algo em comum. Mas a verdade… é que não é necessário sermos exatamente como o outro nos idealiza.


As pessoas querem, exigem que os amigos, companheiros, se moldem aos seus próprios gostos. Isso… é a pior coisa que se pode fazer. A diversidade é tão mais intensa quando é aproveitada pelo respeito que devemos ter pelos outros…


Nos últimos tempos… conheci alguém que é o oposto de mim. Bem, eu já fui um pouco esse oposto. A vida foi-me fazendo ver a minha incapacidade para fazer tudo bem… de não ser totalmente perfeccionista em tudo o que a vida me foi proporcionando.


Bem, essa pessoa… essa companhia… fez-me apreciar pormenores que já me estavam escondidos. E que até já nem sequer os apreciava conforme seria suposto que eu o fizesse.


Tal como uma taça de champanhe… Quando a temos na mão… devemos saborear cada pedacinho das «bolhinhas de gás». Tinha sido essa a minha essência… antes de a perder.


E por que a perdi? Talvez porque passei a aceitar, a considerar os erros dos outros como não sendo meus. Aprendi a descomprimir. A respirar quando alguém só faz o que é suposto fazer… só pela metade.


Se não depende de mim… o mais importante é que eu seja «Eu»… Não os outros. Para quê e porquê desejar… e esperar que sejam perfecionistas como eu? Se sei de antemão que só o fazem pela metade daquilo que eu tivesse podido querer e… imaginar?


Mas, sim. Compreendo todo esse desespero de querer e não se sentir validado com aquilo que se conseguiu obter.


Senti isso, muitas vezes, na minha vida. Ninguém nunca foi capaz de suportar a minha mania de querer tudo… ao mais ínfimo pormenor…


Aquele sonho que sonhamos e do qual não abdicamos!


Porquê? Porque é suposto abdicar do que somos e queremos?


Passei alguns anos nessa indefinição… a ponto de pensar… que estava errada. De me sentir enganada, atrofiada… a ponto de sentir que os outros nunca poderiam aproximar-se de mim. Por eu ser tão… exigente… comigo própria… mas também com os outros?!


Mas os outros… são os outros. Não os posso mudar. Não os posso alterar à minha imagem… O que eu posso, isso sim… é… definir prioridades. Estabelecendo metas… objetivos… e sem grandes ou exageradas perfeições a eles associados. Se quero perfeição… não abdico. Sou firme. Tomo decisões. E vou sempre em busca da verdade.


E tento concretizar. Sem estar à espera da validação de seja de quem for. Sem assumir este coração de manteiga. O que quero… Conquisto. E nada de reclamar… E nada de negativo… E nada de me fazer passar pela pessoa mais parva deste mundo… Nunca!…


Não depende tudo de mim. Mas… posso ter outras opções. As minhas opções…


A companhia perfeita… é aquela que, sem que nem mesmo nós nos apercebamos disso… nos ensina a voltarmos a nós.


É aquela pessoa que nos identifica… mas que também não se esconde de nós.


É a que diz a sua verdade, exatamente conforme ela é… e independentemente daquela pessoa em que nos transformamos ao longo da vida.


Essa pessoa… que nos olha de uma forma doce… quando queremos soltar a mais estridente risada… e sorri… constatando… que fomos, mesmo, capazes de a ter dado.


Essa pessoa que está sempre com respostas rápidas… refutando a nossa forma de o ver… como se… necessitasse de ser mesmo visto na sua essência maior.


Essa pessoa que nos irrita. Que nos faz sentir vivos, fazendo algo que nunca faríamos.


No fundo… é alguém que nos dá segurança. É alguém que não vai mudar. É assim e… ponto.


Sabemos muito bem o que ver, sentir… e apreciar.


Essa companhia perfeita… que não usa máscaras ou palavras doces que incomodam. Que nos fazem pensar que… vamos viver de novo uma mentira.


A companhia perfeita… é assim. Tudo o que não suporto… é possível acontecer. Até ficar uma hora… ou até que fossem duas… ao telefone… sabendo sempre que a verdade não nos engana.


Essa, seria, continua a ser… a companhia perfeita. Nada de camuflagens e palavras bonitas… que depois, mais à frente, se transformam em pesadelos.


A companhia perfeita… O que vês e sentes… é a verdade.


Não é fácil encontrarem-se… conseguirmos encontrar companhias assim!…


Mas… há-as!… E, quantas vezes, elas se encontram ali mesmo ao alcance da mão!…


É essencial saber… encontrá-las… e… depois, também… merecê-las!…


 


 

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