Vida 1

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***Texto editado por Pi Sousa Pires


O que penso sobre a vida? Primeiro que tudo… que a temos de viver sem merdas desnecessárias!… E sem a suposição que somos eternos. Não nos faria mal nenhum se todos observássemos e aprendêssemos o que se passa com os animais…


No reino animal pensa-se sobretudo na vida!… ou na falta dela!


Nós, humanos,… pensamos demais! E, alguns de nós, quando finalmente chegam à conclusão de que o importante é viver… já é tarde!


Estamos constantemente a pensar nos dias… nos problemas… nisto e naquilo! E… quantas e quantas vezes não nos conseguimos abstrair da enorme inutilidade que tudo isso representa!…


A vida é absolutamente preciosa. A vida é, para mim… um conjunto de realidades e de vontades que vou constantemente selecionando e recolhendo, aqui e além… mas sempre saboreando quem sou… e aquilo que sou!…


Muitas vezes tento abstrair-me de certas «coisas»… daquelas situações a maior parte das vezes inúteis e nefastas que acabam por condenar o nosso dia-a-dia!


Já me chateei tantas e tantas vezes com «coisas» que nada, mas mesmo nada me acrescentaram… Já me entristeci com algumas injustiças da vida… e de me colocar aquele… «porque é que só a mim me acontece?!»


Sobretudo quando tantos e tantos, que muitas vezes consideramos bem piores que nós… mas que, só porque são maus… invejosos… irritantes… não olham a meios para atingirem os seus fins… conseguem as coisas primeiro que nós e… a maior parte das vezes… sem o merecerem! Mas, nós… que condenamos isso… quantas vezes nos limitamos a ficar pelo… habitual… «se Deus existisse isto não acontecia…» ou… «Deus não é cego…» etc., etc…


Mas também quantas vezes nos achamos a nós próprios juízes da vida! E quantas vezes achamos que somos indiscutivelmente maiores e melhores que os outros… em todos os sentidos! Mas… porquê?


E há aqueles que julgam poder ser advogados das «vítimas»… que pegam logo no problema e abrem desalmadamente a boca só para criticar com grande ênfase… — mas isso é injusto… é tão injusto!… Isso não se faz… e depois… vamos ver e… constatamos que quantas e quantas vezes fazem exatamente o mesmo!


Que vida!…


Isto de andar a contar os dias em que tudo é para mim melhor que para os outros… Isto de andar a viver uma vida sempre preocupada com o que não fiz e os outros fizeram… Isto de andar aflita com o pretender ter mais poder… mais dinheiro… mais projeção… mais… tudo! Não, não acredito que isso seja para mim!…


Eu sou uma pessoa simples… E se tenho tudo isso é pela pessoa que sou. Nunca me preocupou ou alguma vez pretendi ser mais que alguém… O que me preocupa, isso sim… é ser cada vez melhor. E ser uma pessoa que compreende… e que se afasta de seres incompetentes relativamente à vida… e que cada vez olha mais para o lado para poder apreciar as árvores batidas pelo vento… como se, à minha passagem, dançassem para mim!… Ou… comigo…


É tão bom viver e saber gostar de olhar mais além… mais para aquilo que desconheço. A vida, para mim,… é uma… constante e gratificante aprendizagem…


Cheguei a um ponto em que até parece que já me formei no curso de… «Pessoas» e por isso elas já não me surpreendem e… muito menos conseguem enganar-me e prender-me a atenção. É que eu já sei muito bem o que me vão dizer… Já sei como vão reagir… e, logo, sei muito bem que não vou aprender absolutamente nada com elas.


A minha vida merece conhecer melhor o que eu considero verdadeiramente importante… aquilo que me rodeia. E procurar entender o porquê de a sociedade se ter tornado tão mesquinha… tão fria… e tão pouco dada ao simples ato de aprender!…


Todos os dias vemos gente demasiado nova para morrer… gente a morrer de repente… gente que não era suposto morrer e… teimamos em dizer que… «não era a sua hora!» Mas… que raio somos nós para o dizer? Que raio somos nós para acharmos ser dignos da justiça neste mundo, se somos nós mesmos os piores criminosos? Achamos que sabemos tudo… que fazemos sempre tudo melhor do que os outros… e, quando vamos ver a ligação e a interação com um seu semelhante… muitas vezes não vemos a verdade.


Somos injustos… traiçoeiros… achamos que a nossa vida é mais válida do que a do nosso vizinho.


Queremos ter um umbigo muito grande… queremos todos os dias nascer… sem que a vida nos tenha dado permissão para isso. Julgamos e julgamos… todos os dias achamos ser mais merecedores de tudo e mais alguma coisa… porque julgamos que não existe ninguém melhor que nós!…


Pois… mas eu acerca da vida… e aprendi isso bem cedo, sei que ela é um momento. Que as minhas mãos são para levantar quem «naquele exato momento» precisa de mim… e não… e nunca para a empurrar. Aprendi que a Natureza todos os dias me devolve o que eu deixei algures no tempo — no tempo da minha vida.


Na minha vida já passei por situações que não desejo a ninguém… Nessas ocasiões pensava que a vida era injusta… e que Deus… se tinha eventualmente esquecido de mim.


Mas estava redondamente enganada… Deus devolve-me todos os dias a capacidade de acordar… de ver… e, sobretudo, de… sentir!… E é tão bom ver as nuvens a brincarem comigo como se me quisessem fazer ver o que desconheço… E ver as aves a fazerem-me acreditar que também eu posso… voar… e até voar mais alto!… E sentir que se eu precisar de um abraço… posso… abraçar uma árvore e sentir o trepidar da sua vida!… E sentir que cada pedra que encontre… é porque outros a deixaram ali para que eu a pudesse tocar!…


É tão bom, tão maravilhosamente bom sentir que a minha vida foi «mesmo» uma verdadeira vida… e não uma vida feita de pequeninos pedaços emaranhados numa realidade que desprezo… o ter sido… arrogante para com ela… imaginando-nos demasiado grandes! E… afinal… somos tão pequeninos…


A vida… é ver estes pardais que tranquilamente se abeiram de mim numa esplanada de café… que não se preocupam em procurar o melhor para petiscar… que apenas se preocupam em alimentar-se… sem vaidade e unicamente para sobreviver… e que se vê que são felizes… porque… sabem voar… sabem que podem voar… e… tão importante: merecem voar!…


A vida é, para mim… aquela magia que existe quando estou em sintonia com as coisas que os outros dizem serem perfeitamente banais… mas que para mim… são as melhores e as maiores coisas da vida…


E saber olhar o pôr-do-sol… pensar no dia que está prestes a acabar, quer tenha sido bom ou mau… mas… dar graças por o ver assim… todos os dias diferente… e senti-lo como se fosse apagar aquilo de que eu não gostei em mim… e saber que um novo dia não tarda em aparecer… e dizer-lhe… obrigada… hoje vou ser melhor!…


Sabem?!… No fundo… não me interessa por aí além se a vida para mim foi justa ou injusta. O que me interessa saber é que aproveitei mais o que sentia… essa emoção de saber que faço parte do que desconheço… que consigo olhar e discernir o que verdadeiramente é importante… e não perder tempo com gente mesquinha que ainda não se soube encontrar na sua própria vida.


A vida… é esse horizonte que, mesmo estando distante,… vamos sempre querer alcançar… sem pressas de lá chegar… apenas sabendo… que não podemos levar nada na bagagem daquilo que foi a nossa vida… e apenas, e só, o que somos. Disso não tenho a menor dúvida.


Só assim se alcança a verdadeira beleza que existe… em viver e… disfrutar a Vida!…


Só assim a Vida… será tudo o que podemos querer que ela seja… e, pelo menos para mim… sei que navego melhor… que voo melhor… com quem me vê e sente… assim… exatamente assim… com a vida que tenho dentro de mim…


Neste apagar de mais um dia… que, embora incompleto na essência da humanidade… pelo menos para mim é verdadeiro na luz que transmite… e que eu sei captar… este céu… onde deixo que as palavras se apaguem… e… vou agora limitar-me a olhar… e a reparar… e a sorrir… e a… agradecer!…


Esta é a Vida… porque eu assim… o quero!


 


 


 


 


 

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