Não há nada como uma desilusão… para renascer!

** Texto editado por Pi Sousa Pires
Quantas vezes ouvimos dizer: «por um detalhe me ganhas… por um detalhe me perdes»?! E é bem verdadeiro aquele… «ouvimos dizer».
Na minha vida, o grande mal… tem sido agir assim. Ser assim com os pormenores que me desiludem… que me fazem renascer e, com isso, tentam reativar o meu sentido de oportunidade… Sim, é que eu dou outras oportunidades. Eu… não sou perfeita. Tal como toda a gente, também ganho e perco com os meus próprios pormenores… O que eu tenho é algo que, para mim, me é fundamental… – a verdade! Aquela verdade que existe em nós.
Não escondo nada a ninguém. Ora, essa verdade desilude muitos… desilude aqueles que renascem à procura de outro ser… Mas, essa mesma verdade também faz renascer quem, de facto, me viu na minha plenitude de ser.
Um dia, há já algum tempo, na minha vida… desiludi-me com um pormenor tão… mas tão importante!!! E pensei… sinceramente, pensei que estava errada. Que a minha vida poderia ter sido uma outra coisa… uma coisa cheia de amor… qualquer coisa plena de vida! Em que Eu… me sentia completa com quem de facto me completava e me fazia ser e sentir-me melhor – a Vida acaba sempre por nos proporcionar… e fornecer segundas oportunidades!
Nessa segunda oportunidade… estive muito perto… de dizer que teria ocorrido algures, no tempo, um erro… um erro cometido por mim própria. Mas não! É que esse pormenor… tão escondido, tão camuflado… acabou por me fazer perceber que tudo o que me fizera renascer… de novo me pedia que o fizesse!
Desilusões, mágoas… Oh, essas… tenho-as todos os dias! Umas afetam-me. Outras, a vida encarrega-se de me tranquilizar ao dar-me a certeza de que eu me limitara a seguir o meu «eu».
Seguir o meu «eu»… isso quer dizer que lutei dia-a-dia… para não me limitar ou contentar em saber que só preciso de quem me faça ser eu própria. Não! Eu…, eu é que preciso de ser «eu».
Por vezes acontece-me precisar de ficar acordada… e então deleito-me só de ouvir o piar dos mochos-galegos e das corujas… ou ao conseguir disfrutar da imagem da lua.
E quantas vezes preciso de ficar em silêncio… de ouvir o vento… de ouvir as folhas a baterem suavemente umas contra as outras… de sentir a doce sensação que pertenço ali… de me sentir abraçada por algo… ou por alguém que apenas está ali… mas que, sobretudo, me aceita e me devolve o sorriso que lhe ofereço por apenas… me sentir… Nessa envolvência aparentemente sem sentido… nesse tão pouco que, afinal, é tudo!
Preciso de ouvir, de escutar… preciso de ajudar… preciso de saber… preciso de ter a certeza de que eu… marco uma diferença na vida de alguém…
Hoje encontrei uma pessoa que viveu 48 anos com a sua cara-metade – mais que uma vida nos tempos que correm! Eu vivi quase 20… com uma pessoa… e chorei o que tinha que chorar… mas renasci… eu. Eu. Ele não é ninguém de quem me possa orgulhar. Houve coisas positivas e essas defendo-as… com unhas e dentes… mesmo sabendo que também esse tipo de pormenores podem acabar por mudar. Não interessa. Se o pai dos meus filhos for feliz e estiver bem na vida… sei que os meus filhos estão protegidos. Logo, não há qualquer motivo para não evidenciar o bom. O mau… ah… isso faz parte da minha história e não pertence a mais ninguém.
Quando encontrei essa senhora… se fosse hoje… não queria sair de ao pé dela… queria abraçá-la… queria que ela chorasse o que precisasse de chorar… queria que ela soubesse que eu sentia que era uma desilusão para lá das outras… que era algo… muito para lá de um mero renascer.
Perder uma cara-metade… pois! A morte de alguém… é algo que nos acompanhará o resto da vida. Há pessoas que não nos fazem falta! Mas há outras pessoas… que nos… permitem… nos mantêm… nos sustentam… há pessoas que, sem elas, como que não sabemos sermos… nós!
Há pessoas… que nos perdem… Há pessoas que perdemos… e… existe o nosso «eu». Que se perde…. Precisamente nesses pormenores de vai-e-vem… de perdas.
Renascer… face a desilusões… pode não ser assim tão fácil.
Eu cheguei a perder… tanto. Eu sei o que custa pedirem-me para não chorar! E, então, como posso eu pedir a alguém que não o faça?
Nunca ninguém conseguirá avaliar a dor de nos perdermos no tempo! De imaginar que estamos aqui… quando, de facto, não estamos! Quando, de facto, nos faz tanta falta ser… ter… o que a vida… nos faz questão de dizer… que reparaste naquilo… precisamente naquilo que não devias! A vida acabou por te dar razão. Mas… não é tão bom a vida te dizer… «estavas certa»… mas, se estivesses errada,… também podias ter sido feliz!
Damos tanta importância ao nosso dia-a-dia… mas, se pensarmos bem, nunca nos apercebemos verdadeiramente dele.
Tudo o que perdemos em pormenores… pensamos serem, de facto, apenas pormenores.
Vivo de forma intensa cada um eles! Mas a forma como reajo a eles... permite-me… que eles não me afetem…
Eu vejo os outros. Sinto os outros. Renasço a cada pedaço de história que me desilude… me entristece… me enfraquece…
Há tanta história para «visitar»… há nas nossas palavras tantas e tantas coisas boas para dizer!
Que… porquê desgastarmo-nos com as nossas desilusões? Se sabemos que é com elas, inexoravelmente, que… temos de viver? Que temos de as suportar? Que, com elas, somos… obrigados a viver.
Eu, como sempre, vou ser muito sincera.
Há pormenores… importantes para mim.
Há uma vida imensa… que vivi, suportei e… renasci – oh… quantas e quantas vezes!
Há… pormenores… que em todas as histórias que ouvi… não valem uma vida… nem um fim-de- semana… ou um simples dia… ou uma ínfima hora que seja…
Há momentos que valem uma vida… Mas há outros… que nos obrigam a refazer tudo… tudo.
Nesses pormenores… nesses momentos… se se perde aquilo que são… depois, renascer… obriga-nos a um esforço maior!
A perdoar, porque se gosta… a seguir, porque é suposto que assim seja… ou, então, a perder… e lá vai mais uma oportunidade… para teres de voltar a tentares reencontrar-te…
Mas há pormenores que te indicam… que se perderam para sempre!
E, como sempre… a vida… diz-te: - «Não foram erros… foste apenas tu a tentares ser «tu»! Quem não te ouviu e sentiu… perdeu… tu, ganhaste uma nova vida… outra vez!»
Não importa o tempo passado… Há quem não seja sequer capaz de nos ver e lutar por nós…
Mas… Renasce… renasce e… volta a ti… seja em que pormenor for.
Se há gente que te atraiçoa… há, seguramente, muito mais gente… que é capaz de te abraçar, estejas lá onde estiveres…
E haverá força maior que essa?
Ouvir… Sentir… Abraçar… o que temos a certeza que é nosso… nesse pormenor tão vazio de ser… tão completo e… único….
Esse pormenor… seja ele uma desilusão ou a nossa alegria… faz tanta diferença neste nosso renascer diário…
Somos.
Há coisas que não se explicam… de facto… mas, se não as explicarmos… como haveremos de saber que nos entendem?
Se não entendem… é porque a vida não te deu uma segunda oportunidade!
Não tiveste nenhuma. O nosso primeiro instinto… é o correto.
Há pessoas… que passam pela tua vida… para te dizerem… «Fizeste bem!»
Não aceitem… nunca aceitem menos do que aquilo que vocês sabem que são.
Quem vos ama… preenche todos os espaços vazios… todas as agruras da vida.
Quem vos dá a mão… só não o faz quando de todo não puder…
A vida… de facto faz-nos… obriga-nos a renascer…
Porque… no nosso pior… há sempre alguém que não desiste de nós!
Pormenores… ilusões e desilusões… capacidade para...
Quem tem… merece a minha vida.
Bem-haja… a quem me ouve e me faz renascer todos os dias!
Bem-haja… a quem luta por mim.
Bem-haja… a quem persiste em estar na minha vida… por saber que me conquista nos pormenores aparentemente mais pequenos, os quais são, coincidentemente, os mais essenciais e poderosos…
Bem-haja... a quem me faz lembrar quem eu sou.
Bem-haja.


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