"Quando o passado bate à tua porta... deixas entrar?"

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Todos nós temos "coisas" do passado que queremos esquecer. Queremos fechar portas a tudo o que não nos fez felizes, a tudo o quanto nos roubou o que éramos. Mas, vivemos a relembrar outras "coisas" do passado que nos fez o que hoje somos... que nos moldou de forma positiva, que nos preencheu... 


Quando o passado bate à tua porta... deixas entrar? Já li muitos artigos onde o passado deve ser esquecido, não revivido... etc. etc... Todos dizem...vive o presente o agora! 


Eu, eu deixo-o entrar... mesmo que isso me afete bastante, mesmo que isso me faça chorar... ou... rir... 


O passado entra na minha vida como que se eu tivesse algo que não acabei...que não vivi. Entra recordando-me da força que tinha quando o mar me fazia companhia em tantos momentos... Entra para me recordar da esperança que tinha... dos sonhos... Entra para me alertar que não posso ceder. Não posso deixar que a vida me faça querer viver um presente esquecendo de tudo o que me esculpiu, me fez ser quem hoje sou. 


O passado tem carta branca sempre que eu penso que este presente está apagado e nele quero deixar entrar alguma luz! Vagueio nas minhas memórias e encontro o Mar. O Mar que me aceitou, me envolveu... me deu tudo aquilo que durante tantos "presentes eu"... nunca recebi! 


O Mar é o meu passado...o mar vive em mim como mais ninguém conseguiu! O Mar escuta o que sou sem me condenar, sem me mudar, sem me escurecer... O Mar... tem aquela curiosidade por mim... aquela vontade de me abraçar feito uma onda forte...que vai e vem... e é sempre o abraço que nos preenche, nos recria, nos faz querer mais da vida! 


O Mar bateu-me à porta... para me recordar que todas aquelas "pedrinhas" que eu apanhei... tinham uma razão de ser. Ele sabia que cada uma me faria recordar cada pedacinho meu... que o tempo iria apagar. Ele sabia que eu tinha de ir viver as minhas desilusões, as minhas conquistas, as minhas alegrias e tristezas... Ele sabia que eu... não me esqueceria... porque teimosamente essas pequenas "pedrinhas" as guardei, como guardo a vida. Ele soube e sabe esperar por mim... como se nunca estivessemos longe. Quando o vejo ao longe... ele reconhece-me. Eu o reconheço e... ouço-o... como se cada onda tocasse em mim... na minha alma. 


Quando o passado bate à tua porta... deixas entrar? Como não deixaria? O Mar... pensa que não sabe nada de mim... e contudo me devolve a mim... O Mar... entra sempre na minha vida quando eu penso em amor, carinho e... em momentos felizes! 


O Mar regressa sempre como um passado presente... como se tudo voltasse a ser... aquele pequeno momento em que frente a frente nos bastamos... como se a cada momento que eu o possa olhar, ouvir... fosse de facto o primeiro momento da minha vida. 


O Mar... fez questão de ficar na minha vida. Como não o posso deixar entrar? 


Mesmo em silêncio...mesmo que as minhas palavras não tenham significado algum... 


Fui feliz. Dele, guardo...na alma o que deve ficar marcado.... O Mar... desconhece tantas coisas... que eu quero deixá-lo entrar...dizer-lhe olá...explicar... ouvir... e sentir! 


Saudades de te ouvir... 


Bateste à minha porta... Podes entrar! Mar da minha vida. 


 


 


 

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