E.. Se hoje fosse o seu último dia de vida?

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 Fernado Pessoa... é talvez a pessoa mais simples e complexa que conheço... aquela pessoa com quem me identifico a cada palavra! 


Todos nós... vivemos este dia-a-dia... de não saber o que nos pode ou não acontecer amanhã... todos os dias notícias nos magoam ao saber... tão novo, que desgraça... tão boa pessoa... PORQUÊ??? 


Nenhum de nós... mesmo passando por um problema de saúde... nenhum imagina que é amanhã! Aqueles que se preparam... falta sempre um pormenor... deixaram de fazer, de dizer isto ou aquilo. Quem fica... diz sempre... coitadinha... coitadinho... por isto ou aquilo! 


Há até quem brinque com o assunto... "Ouvi falar tão bem de ti... que pensei que tinhas morrido!".


A nossa Natureza faz de nós seres imortais! Somos inundados por mensagens... de viver cada dia como seja o último... gozar a vida... estar com quem amamos.... mas, a mim... fica-me sempre este vazio! Esta normalidade de saber que se eu morrer amanhã... me dizem quando eu nem posso sequer mostrar o dedo da asneira!!! Coitadinha... tão nova... tão boa pessoa... o que será dos filhos? Eles que contavam sempre com ela.... Para quem ficará o que deixou? Enredos, novelas... e eu, ali estendida... sem reação... a pensar... que todos os minutos me dediquei a gente que todos os dias... olhou o sol... a chuva... sentiu o frio, o calor, o vento... reclamou do momento... e nunca o aceitou. Nunca o viu... com olhos de ver! 


Há gente que pelas suas atitudes.... sentem que são eternas. Uns mais que outros. Mas todos... sentimos que não é já... amanhã! 


Quando vivi uma situação complicada de afogamento... eu senti em breves segundos... uma dor enorme por não conseguir, não ter forças para dizer... a algumas pessoas... ou o desculpa... ou o perdoa-me... ou... eu amo-te! A "rapidez" desse momento.... me fez reviver tanta coisa! Mas... eu... nesses momentos... nunca pensei... vou apagar-me! Que os outros me definam... que os outros me caracterizem... "coitadinha, tão boa pessoa!" 


Mas.... vemos neste dia-a-dia.... de tantas doenças nefastas, repentinas... quem as encara de frente... tem força para as superar ou não.... é sempre o coitadinho... tão boa pessoa.... 


Há quem descreva exaustivamente momentos que passaram com quem... viveram o seu último dia.... Muitos escrevem... porque não perguntei por ti. Porque estive longe? Mas.... coitadinho... foste tu a ter o teu último dia! Porque me abandonaste? A vida continua... sofrem a saudade... o egoismo de sentir que alguém lhes faz falta! Recordam-se de momentos que os  fazem chorar de saudade.... porquê tu? e não eu? ...


Foda-se. Enquanto os que morrem são coitadinhos... os outros que os "mimaram"... "estiveram".. "sofrem a ausência".... são catalogados TAMBÉM como coitadinhos...


Nenhum deles... Nenhum... olha o sol... e gosta de o ver. Mais nada. Apenas isso. 


Todos andam numa vida agitada, para cá e para lá... ninguém percebe e se dá conta do que vê... das pessoas que nos rodeiam e o porquê de estarem ali... para nós. Não vemos nada... até que o amanhã... nasce, sob um sol sempre presente, mesmo que escondido.... e só sabemos... de nós... dos outros.... do que temos de fazer.... 


E... se hoje... fosse o meu último dia de vida? Para que eu não tenha de sentir vontade de mostrar os dedos a uns quantos... deitada inerte... sobre um caixão! ... Passo a dizer-vos... 


Todas as palavras que guardei para mim... sobre vós.... eu... as guardo só em mim. Nem vale a pena pensarem se eu gostava ou não de vocês... cada pessoa que passou na minha vida... deixou uma marca. Alguns, uma marca tão boa... tão importante que nem qualquer palavra que vos possa dedicar... faz juz àquilo que silenciosamente conseguiram pintar feito tatuagem no que sou.  Outros... fizeram questão de deixar cicatrizes profundas... boas e más... se as deixaram... e... me deixaram.... nem coloquem os pés nesse dia...Os que deixaram as más... seria até capaz de me levantar e dar-vos um pontapé... rua! Não vos permiti enquanto estive viva... se declararem uma palavra que seja... eu...ficarei feiz bem lá em cima... a ver tudo a acontecer... com a descendência... convosco... a lei do retorno... existe. 


Os que me deixaram as boas...marcas... sabem que nem precisam de chorar por mim... porque eu... fui feliz com todos e continuarei a ser... nesse meu último dia... e em todos os que lhe seguirem... construímos uma história... essa história fica. Serve de exemplo. 


E... Se hoje fosse o meu último dia de vida? 


Eu... sentiria-me de dever cumprido. Tracei um rumo na minha vida que espero que sirva de exemplo. Tentei deixar todos os valores em que acredito bem gravados no coração de quem me sucede... d equem fica para relatar a minha história. Dei tudo de mim. O que podia... o que não podia. Nada me foi impossível fazer acontecer... Disse a todos o quanto gostava deles... muitas vezes, apenas e só por atos... as palavras, muitas vezes são poucas... 


Se alguém um dia me conheceu? Não. Amo tanta gente! E tanta gente gosta de mim... mas, não... nunca ninguém me conheceu... me viu... me reconheceu. 


Valorizo tanto... as pequenas insignificâncias... que seria dificil alguém... ter os olhos para me verem. 


Já pensou na sua vida? 


E... Se fosse hoje o seu último dia de vida? 


Serão também as insignificâncias que o fizeram feliz? 


.... falta a muita gente... perceber que não é eterno... as insignificâncias da vida... conseguem relatar tudo o que somos, fomos e... ficaremos... 



 


 


 

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